Loading
Discorama - o panorama do disco em Portugal
  • Discorama
    • Quem somos
  • Novidades
  • Editoras
  • Estilos
    • Erudita
    • Fado
    • Jazz
    • Tradicional
    • Ligeira
    • Rock
    • Diversos
  • Discopédia
  • Portais
    • Loja Meloteca
    • Meloteca
    • Musorbis
    • Lenga
    • Musis
    • Reciclanda
  • Click to open the search input field Click to open the search input field Search
  • Menu Menu

Tag Archive for: 2021 discos

Tiago Matias, Cifras de viola
Guitarra Clássica

Tiago Matias

Tiago Matias

Discografia

  • Cifras de Viola, 2021.

Tiago Matias, Cifras de Viola

Tiago Matias

Tiago Matias cresceu na freguesia de Vilar, numa altura em que Aveiro ainda estava longe do pulsar artístico, do movimento criativo e da oferta cultural que hoje se lhe associa. Na cidade até “já existiam alguns grupos e equipamentos culturais como o [Teatro] Aveirense, o CETA – Círculo Experimental de Teatro de Aveiro ou o Estaleiro [Teatral de Aveiro]”, assim como “boas escolas de dança”, mas “a dinâmica dessas estruturas era muito inferior”, garante o músico aveirense, em entrevista à Aveiro Mag.

O que, naquela Aveiro dos anos 90, florescia com irredutível efervescência, eram as bandas de Garagem. “Havia muitas [bandas] e tenho ideia de que, genericamente, o nível de qualidade era muito bom”, recorda Tiago que, apesar de, mais tarde, ter vindo a enveredar por sonoridades mais eruditas, chegou a integrar alguns dos conjuntos jovens mais icónicos daquela época, nomeadamente, os Drool Sniper, os Sem e os Alter-ego.

Não foi, no entanto, por via destas bandas de liceu que o jovem aveirense chegou à música. Desde cedo, aprendera a tocar guitarra numa escola privada, em São Bernardo, e habituara-se a integrar os coros da Sé de Aveiro. É por isso que, no que à música diz respeito, pode dizer-se que, até certo momento da sua vida, Tiago Matias percorreu dois caminhos paralelos: de um lado, a vivência das bandas de Garagem, a guitarra elétrica e a vertigem do punk rock, sempre mordaz e empolgante; do outro, a “música de igreja”, a responsabilidade de direção dos coros da Sé Catedral (tarefa que, mais tarde, viria a assumir) e, claro, todo o percurso na guitarra clássica no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, com a seriedade que a Música Erudita, tão bela quanto rigorosa, a todos exige.

Enquanto entendeu percorrer paralelamente estes dois caminhos – o rock e o clássico –, Tiago nunca descurou um relativamente ao outro. Contudo, também nunca permitiu que se tocassem. “Nos dias de hoje, os miúdos já não veem esta divisão da forma como eu a via. Para mim – eventualmente, de forma errada – sempre foram dois campos muito diferentes, em igual medida apaixonantes, mas sempre intocáveis. Dois mundos separados”. “Hoje já não os encararia assim”, reconhece o músico.

Desse período fundador, há que referir dois discos que Tiago destaca como “referências”, não só por terem assinalado o seu despertar para o universo da música, mas também porque cada um deles simboliza um desses caminhos – o rock e o clássico – percorridos lado a lado no trajeto musical de vias colaterais que lhe marcou a infância e a adolescência. “Não devia ter mais de 8 ou 9 anos quando ouvi o The Wall, dos Pink Floyd, muito por influência de tios e primos mais velhos. Não era muito comum os miúdos da minha idade ouvirem aquele tipo de música, mas esse disco, assim como os álbuns seguintes da banda, marcou-me bastante”, recorda. Pela mesma altura, um disco de música clássica com os “noturnos” (composições que evocam a noite e nela se inspiram) de Chopin tê-lo-á fascinado de tal forma que a questão “Será que, um dia, poderei fazer disto, vida?” passa a ocupar-lhe a mente.

A resposta só chegaria uns anos mais tarde, ainda Tiago não tinha concluído o Conservatório, mas já depois de ingressar na licenciatura em engenharia mecânica, em Aveiro. No âmbito de um curso livre de guitarra clássica, em Vila do Conde, o seu talento, técnica e agilidade não passaram ao lado do professor Paulo Vaz de Carvalho que lhe atribuiu rasgados elogios. “Um discurso inspirador” que me “deixou nos píncaros”, confessa o aveirense. “Palavras certas, na altura certa, vindas da pessoa certa” que lhe trouxeram as certezas que faltavam. Então, e a engenharia? Era um “curso de família”, justifica Tiago. “Tenho vários familiares ligados a este ramo e, apesar de eu já na altura saber que queria ser músico, passou-me pela cabeça que [a engenharia] era o caminho certo”.

É preciso uma boa dose de coragem e, essencialmente, uma forte convicção quanto à sua vocação para um jovem de 19 anos decidir abandonar um curso com o qual “teria a vida feita” e seguir o caminho da música. “Eu sabia bem o que queria”, assegura Tiago. No seu seio familiar, “não houve dramas”, ainda que, no início, não tenha sido fácil para os pais compreenderem aquela opção. “Foi importante para eles perceberem que a minha vontade era pela Música Erudita e que, neste ramo, rapidamente estaria a dar aulas”. “O facto de verem que eu podia ter uma vida minimamente estável ajudou-os a aceitarem a minha escolha”, partilha. Em 2002, Tiago Matias completa o curso complementar em guitarra clássica no Conservatório de Música de Aveiro (no exame final, obteve a nota máxima de 20 valores) e, três anos mais tarde, conclui igualmente os estudos na Escola Superior de Música de Lisboa.

Em quase duas décadas de carreira, Tiago tem colaborado regularmente com diversos grupos – entre os quais, “Sete Lágrimas”, o mais conhecido grupo de música antiga em Portugal e um dos mais conhecidos da Europa, que integra há cerca de 15 anos – com os quais já gravou vários discos e teve a oportunidade de se apresentar em salas de espetáculo e festivais um pouco por toda a Europa. Em 2012, em colaboração com Filipe Faria, fundou o Noa Noa, com o qual editou “Língua”, em 2014, “Língua 2”, em 2015, “En la mar”, em 2016, e “Palavricas d’amor”, em 2017.

Em 2018, é convidado a assumir o cargo de diretor do Quartel das Artes Dr. Alípio Sol, em Oliveira do Bairro, com o desafio de “criar uma programação eclética que chegue a todos os públicos, mas que seja audaz em termos de qualidade; que não perca a coerência, nem se deixe cativar pelo facilitismo”. A azáfama da sua carreira artística e dos seus afazeres enquanto programador fizeram com que Tiago deixasse de dar aulas. Ainda assim, esta foi “uma atividade que preencheu mais de vinte anos da minha vida – comecei a dar aulas com 17 anos – e da qual só guardo boas memórias”, garante o músico. “Tenho a sorte de poder afirmar que tenho muitos antigos alunos que são músicos profissionais. Orgulho-me muito de ter sido eu a formá-los. Vê-los crescer foi ótimo”.

Meses antes de terminar o curso superior em guitarra clássica, Tiago teve a oportunidade de estudar em Madrid, no Real Conservatório Superior de Música, ao abrigo do programa Erasmus. Foi na capital espanhola que o aveirense conheceu José Miguel Moreno, especialista em música antiga e em instrumentos como os alaúdes, as tiorbas, as vihuelas e outros antepassados das guitarras que hoje conhecemos. A experiência foi de tal ordem entusiasmante que, poucos dias depois de terminar o curso em guitarra clássica, Tiago “já tinha cortado as unhas” – para a guitarra clássica é aconselhável usar as unhas da mão direita compridas, ao passo que para estes instrumentos antigos, tal não é necessário. “Não mais voltei à [guitarra] clássica, não mais voltei a ter unhas [compridas] e não tenho vontade disso. Percebi o prazer e o arrebatamento que estes instrumentos me dão e soube que este era o meu caminho”.

Em dezembro de 2021, Tiago Matias lançou o seu primeiro disco a solo: Cifras de Viola, um Conjunto de 14 obras provenientes do Manuscrito Musical 97 da Biblioteca da Universidade de Coimbra: “Cifras De Viola por Vários Autores Recolhidas Pelo Licenciado Joseph Carneyro Tavares Lamecense”. “Este manuscrito, que data do início do século XVIII, contém mais de 200 obras para guitarra barroca, sendo a sua maioria música inédita e de autores desconhecidos. A compilação é a maior que se conhece em todo o mundo para guitarra barroca, tendo um grande valor artístico e histórico”, podia ler-se no comunicado de apresentação do disco.

“Sempre soube que, quando chegasse a altura de me apresentar a solo, não iria gravar o que já tinha em casa”, vinca Tiago Matias. “Nunca tive interesse em gravar as minhas obras favoritas de Bach, por exemplo, apesar de adorar Bach, é o meu compositor de eleição, a minha maior influência. Mas nunca quis gravar música que já conhecia, que já tinha sido registada por outros”.

Quando teve conhecimento deste manuscrito histórico, imediatamente, Tiago demonstrou interesse em transcrever, recriar e gravar algumas peças, mas o ofício exigia tempo e dedicação. “Tenho de admitir que, tal como aconteceu com tantos músicos, foi a pandemia a dar o derradeiro empurrão para que o projeto avançasse”, conta. E agora, nisto dos discos, “como diz o Ronaldo, é como o ketchup. Depois do primeiro é sempre mais fácil surgirem os seguintes”. Aos 43 anos, o músico aveirense garante ter novo trabalho já gravado. “Está em processo de edição, vai ser lançado em 2023”, antecipa-nos. Para este novo registo, “o processo começou pela recolha de música vocal dos séculos XVI e XVII. Passei a música para vihuela – no primeiro disco toquei guitarra barroca, neste segundo vou tocar vihuela -, depois fiz uns arranjos, umas variações e estive a gravar”, resume. “Da porta que ousei abrir, há dois anos, quando avancei para um disco a solo não só chegará mais este disco, como outros. Tenho vontade e ideias para mais”, assegura Tiago Matias.

Fonte: Aveiro Mag, acesso a 21 de outubro de 2022

https://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2022/09/tiago-matias_cifras-de-viola.jpg 400 400 António Ferreira https://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2022/08/discorama-logo-300x300.jpg António Ferreira2022-09-14 18:45:282024-06-27 08:19:50Tiago Matias

Outros Artigos

Outras Notícias

Advertise hereAdvertise here

Discorama

Sexta plataforma do grupo Meloteca, o Discorama representa o panorama da discografia portuguesa, de músicos, de agrupamentos e das editoras discográficas históricas e atuais.

Discorama - o panorama do disco em Portugal

Artigos Recentes

  • Dealema
    Dealema2 Julho, 2026 - 10:11
  • GraveComClave
    GraveComClave2 Julho, 2026 - 9:27
  • Histórias de uma flauta, por Marina Camponês e Diana Botelho Vieira
    Flauta transversal13 Novembro, 2025 - 11:30
  • Denise, cantora de Hip-hop
    Denise13 Novembro, 2025 - 11:01
  • Favela Discos
    Favela Discos18 Setembro, 2025 - 15:38

CONTACTOS

Morada:
Rua da Serra da Estrela, 86

4415-891 SANDIM VNG

Telefone:
+351 962 942 759
(Chamada para rede móvel nacional)

E-mail:
meloteca@meloteca.com

Política de Privacidade:
Clique aqui.

© Discorama | By Blendup Marketing Digital
  • Link to Facebook
  • Link to Instagram
  • Link to Pinterest
  • Link to LinkedIn
Scroll to top Scroll to top Scroll to top

Este site usa cookies. Ao continuar a navegar no site, está a concordar com a nossa utilização de cookies.

Aceitar

Cookie and Privacy Settings



How we use cookies

We may request cookies to be set on your device. We use cookies to let us know when you visit our websites, how you interact with us, to enrich your user experience, and to customize your relationship with our website.

Click on the different category headings to find out more. You can also change some of your preferences. Note that blocking some types of cookies may impact your experience on our websites and the services we are able to offer.

Essential Website Cookies

These cookies are strictly necessary to provide you with services available through our website and to use some of its features.

Because these cookies are strictly necessary to deliver the website, refuseing them will have impact how our site functions. You always can block or delete cookies by changing your browser settings and force blocking all cookies on this website. But this will always prompt you to accept/refuse cookies when revisiting our site.

We fully respect if you want to refuse cookies but to avoid asking you again and again kindly allow us to store a cookie for that. You are free to opt out any time or opt in for other cookies to get a better experience. If you refuse cookies we will remove all set cookies in our domain.

We provide you with a list of stored cookies on your computer in our domain so you can check what we stored. Due to security reasons we are not able to show or modify cookies from other domains. You can check these in your browser security settings.

Google Analytics Cookies

These cookies collect information that is used either in aggregate form to help us understand how our website is being used or how effective our marketing campaigns are, or to help us customize our website and application for you in order to enhance your experience.

If you do not want that we track your visit to our site you can disable tracking in your browser here:

Other external services

We also use different external services like Google Webfonts, Google Maps, and external Video providers. Since these providers may collect personal data like your IP address we allow you to block them here. Please be aware that this might heavily reduce the functionality and appearance of our site. Changes will take effect once you reload the page.

Google Webfont Settings:

Google Map Settings:

Google reCaptcha Settings:

Vimeo and Youtube video embeds:

Privacy Policy

You can read about our cookies and privacy settings in detail on our Privacy Policy Page.

Política de privacidade
Accept settings