Em 2025 a cena musical portuguesa passou a contar com uma nova editora independente, a +Records, dedicada à música criativa e ao jazz contemporâneo. Fundada pelo contrabaixista e compositor Miguel Ângelo, a nova editora assume um «espírito autoral e independente», com o propósito de «apoiar a produção artística do seu fundador e de outros criadores que partilhem uma visão estética alinhada com os princípios da liberdade criativa, integridade artística e total controlo sobre o processo editorial e comercial.»
Miguel Ângelo, contrabaixista e compositor jazz
O catálogo da +Records conta com os álbuns que Miguel Ângelo editou em nome próprio, seja liderando o seu quarteto – “Branco” (2013), “A Vida de X” (2016) e “Dança dos Desastrados” (2021) – a solo, “I think I’m going to eat dessert” (2017), ou com o projeto MAU, “Utopia” (2019), e Distopia, do Miguel Ângelo Trio — agora com Luís Ribeiro na guitarra e Mário Costa na bateria.
A TOAP (Tone of a Pitch) é uma editora jazz independente criada pelo músico André Fernandes.
“O Jazz português teve nos últimos vinte anos um crescimento brutal. Isso deveu-se, sobretudo, ao aparecimento de uma nova geração de músicos com uma grande criatividade e desassossego, que os levou a experimentar múltiplos caminhos e universos musicais. Serão vários e complexos os factores que explicam as razões deste salto.
Mas também há factos claros e inequívocos, facilmente aceites por todos, como o papel de uma editora independente chamada TOAP, criada por um músico brilhante, inconformado, empreendedor e persistente: André Fernandes.
Quando, daqui a uns anos, se quiser falar desta geração e, ainda mais importante, se quiser ouvir o que ela fez, isso será possível graças à TOAP. Para músicos e amantes de jazz, este não é um pequeno legado.”
(Mário Laginha)
TOAP: recuperar, revisitar, relembrar
Por Rui Teixeira, 2022
Esta história tem início no ano de 2001, ainda no rescaldo de uma exposição mundial, 3 anos antes, em Lisboa, a Expo 98, e em pleno rejúbilo com o Porto como capital europeia da cultura. O Jazz em Portugal começava a ganhar maior dimensão, mais dinamismo e autonomia. O primeiro curso superior dessa música em tempos mal-afamada, dava os seus primeiros passos na cidade do Porto. Retornavam também a Portugal alguns protagonistas das incursões académicas com vista a descobrir os segredos desta música, in loco, no lugar onde ela nasceu, a longínqua América do Norte. Um desses retornados, pode-se dizer que regressou como um tornado, tal foi a importância e as consequências do metafórico remoinho de vento ao qual deu início.
Falamos pois de André Fernandes, guitarrista e compositor lisboeta que em muito boa hora resolve meter as mãos na massa e criar assim um veículo de divulgação do seu fervilhante e prolífico trabalho. Ainda na altura em contra-mão com a lógica de mercado vigente, esse veículo chama-se Tone of a Pitch, abrevia-se como TOAP e acaba por ser uma das mais importantes editoras discográficas independentes do jazz nacional e internacional. Juntamente com o contrabaixista Nelson Cascais e um terceiro colaborador responsável pela parte gráfica, Alexandre Fernandes, irmão de André, a TOAP dá-se a conhecer com dois trabalhos de Fernandes e Cascais, respectivamente: “O Osso” e “Ciclope”. Desde este duplo pontapé de saída até à sua extinção em 2014, e com a distância devida que os dias de hoje proporcionam, o catálogo completo da TOAP adquire o estatuto de documento histórico no percurso do jazz português do século XXI.
Neste extenso espólio, compilado ao longo de 14 anos, perfilam os novos e emergentes valores do jazz nacional como o próprio Fernandes e Cascais ou o guitarrista Nuno Ferreira que, após editar pela catalã Fresh Sound New Talent, se muda para a equivalente lusa, a TOAP. As experiências, trocas musicais e amizades feitas por Fernandes e os seus pares com músicos da cena Nova Iorquina, aliadas a um nível de musicalidade e estética cada vez mais equilibrados, permitem a presença de vários músicos deste meio nos discos TOAP. Assim, nomes como Ben Monder, Dan Weiss, Matt Pavolka, Akiko Pavolka, David Binney, Matt Renzi, Jacob Sacks e Bill McHenry, entre outros, são figuras recorrentes em algumas das edições TOAP, como sidemen e em alguns casos como artistas principais. É importante também salientar a presença de músicos portugueses já estabelecidos e sobejamente reconhecidos como Mário Laginha ou o precoce e tragicamente desaparecido Bernardo Sassetti. Incontornável também é a importância histórica do saxofonista Jorge Reis em alguns discos, incluíndo o seu próprio e belo álbum “Pueblos”. Sem a TOAP muito menos registos deste notável músico teríamos.
Em 2010 a TOAP une os seus esforços com a conceituada Orquestra Jazz de Matosinhos passando assim a chamar-se de TOAP/OJM. Neste novo período que dura até 2014, ano da sua extinção, ainda são editados vários e marcantes discos dos quais podemos destacar “Devil’s Dress” a estreia de Susana Santos Silva, “Bela Senão Sem” de João Paulo Esteves da Silva com a Orquestra Jazz de Matosinhos ou “Motor” de André Fernandes. A lista de músicos e discos lapidares do Jazz nacional do século XXI, no catálogo TOAP, não é infinita mas é extensa. Assim, nada como ter de volta este acervo, agora disponível em formato digital, para ter uma noção real e absoluta do seu importante “todo”. (…)
2001 – 2014
Afonso Pais, Akiko Pavolka, Albert Sanz, Alexandre Dahmen, Alexandre Fernandes, Alexandre Frazão, Allan Mednard, Álvaro Pinto, Ana Araújo, André Carvalho, André Fernandes, André Matos, André Santos, André Sousa Machado, Andreia Santos, António Augusto Aguiar, António Quintino, António Torres Pinto, AP, Avishai Cohen, Baba Mongol, Ben Gernstein, Ben Monder, Ben Van Gelder, Bernardo Moreira, Bernardo Sassetti, Bill Campbell, Bill McHenry, Bruno Pedroso, Bruno Santos, Carlos Azevedo, César Cardoso, Chris Speed, Cine Qua Non, Claus Nymark, Companhia Dos Sons, Dan Weiss, Daniel Bernardes, Daniel Dias, Dave Ambrosio, David Binney, Demian Cabaud, Desidério Lázaro, DJ Ride, Filipe Melo, Filipe Raposo, Filipe Teixeira, Geoclândio Monteiro, Gerald Cleaver, Gianni Gagliardi, Gileno Santana, Gonçalo Dias, Gonçalo Marques, Hugo Antunes, Hugo Raro, Iago Fernandez, Inês Sousa, Jacob Garchik, Jacob Sacks, Javier Pereiro, Jeffery Davis, Jesse Chandler, Jesus Santandreu, Joana Espadinha, Joana Machado, João Ferreira, João Gomes, João Guimarães, João Hasselberg, João Lencastre, João Lencastre, João Moreira, João Paulo Esteves da Silva, João Pedro Brandão, João Pereira, João Rijo, João Silvestre, Jochen Rueckert, Joel Silva, Johannes Krieger, John Ellis, Jon Irabagon, Jorge Reis, José Carlos Barbosa, José Luís Rêgo, José Maria, José Marrucho, José Miguel Moreira, José Pedro Coelho, José Silva, Julian Argüelles, Kalaf, Lars Arens, Leo Genovese, Loft, Luís Candeias, Luís Cunha, Lukas Frohlich, Manuel Marques, Marco Franco, Marcos Cavaleiro, Margarida Campelo, Mariana Norton, Mário Barreiros, Mário Franco, Mário Laginha, Mário Santos, Marta Hugon, Matt Pavolka, Matt Renzi, Miguel Amado, Miguel Fernandez, Mikado Lab, Nate Radley, Nelson Cascais, Nicola Tricot, Nuno Costa, Nuno Ferreira, Ohad Talmor, Orquestra Jazz de Matosinhos, Óscar Marcelino da Graça, Paula Sousa, Paulo Bandeira, Paulo Gaspar, Pedro Gonçalves, Pedro Guedes, Pedro Madaleno, Pedro Moreira, Pedro Pestana, Pete Rende, Phil Grenadier, Raquel Merrelho, Ricardo Formoso, Ricardo Pinheiro, Ricardo Toscano, Rita Maria, Rodrigo Gonçalves, Rogério Ribeiro, Ruben Alves, Rui Pereira, Rui Teixeira, Russ Meissner, Sara Serpa, Septeto Hotclub, Sérgio Pelágio, Simon Jermin, Spill, Susana Santos Silva, Ted Poor, Thomas Morgan, Thomas Morgan, Tiago Maia, TOAP Colectivo, Travis Reuter, Vasco Agostinho, Vicky Marques, Yuri Daniel.
Criada em 2004, em Braga, Mobydick Records é uma editora discográfica independente e empresa de agenciamento de artistas e produção de espectáculos.
Discografia
Monstro Mau – Mostro o Meu Monstro Mau (CD, Álbum) 01MBR07 2007 Trio Pagú – Escangalhado (CD, Álbum) MR E005 32011CDTP
Monstro Mau – Lixo (CD, Álbum) MR.ED01.102009COMM 2009
Budda Power Blues – Kind Of Gypsys (CD, Álbum, RM) MR.ED08.062011CDBPB 2011
The Ramblers – Yer Vinyl (CDr, EP) MR.ED09.072012CDTR 2012
Balão de Ferro – Balão de Ferro (CD, Álbum) MR.ED10.012013CDBF 2013
Budda Power Blues – One In A Million (CD, Álbum) MR.ED11.042014CDBPB 2014
Budda Power Blues – Budda Power Blues (CD, Álbum) MR.ED13.06.2015CDBPB 2015
Budda Power Blues & Maria João – The Blues Experience (CD, Álbum) MRED15.03.2017CDBPB+MJ 2017
Budda Power Blues – Back To Roots (CD, Álbum) MR.ED17.032018CDBPB 2018
Budda Power Blues – Fifteen Long Years (7″) MR.ED20.03.2019EPBPB 2019
Budda Power Blues – Live 2019 (2xCD, Álbum, Liv) MR.ED22.03.2020CDBPB 2020
Rockin’ Gina & The Sentinels – Swampy Waters (CD, Álbum) MR.ED24.07.2021CDRGS 2021
The Michael Lauren Trio – Live at Mobydick Records (CD, Álbum) MR.ED25.04.2022CDMLT 2022
Bed Legs – Bed Legs (CD, Álbum) 2018
Budda Power Blues – Busted (CD, Álbum, Dig) 2008
Fonte: Discogs
Monstro Mau – Mostro o Meu Monstro Mau, Mobydick Records
https://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2023/04/mostro-o-meu-monstro-mau_mobydick-records.jpg400400António Ferreirahttps://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2022/08/discorama-logo-300x300.jpgAntónio Ferreira2023-04-10 22:58:012023-04-10 23:00:49Mobydick Records
Carlos Barretto, Bernardo Sassetti, Mário Barreiros, Perico Sambeat – Olhar (CD, Álbum) UB 10005 1999
Dixie Gang – Jazz Me Blues (CD, Álbum) UB – 1002 1999
Fátima Serro – Day By Day (CD, Álbum) UB – 1001 1998
Fátima Serro – Paulo Gomes – Conferência dos Sons (CD, Álbum) UB – 1003 1999
Fonte: Discogs
Fátima Serro – Day By Day (CD, Álbum) UB – 1001 1998
https://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2023/04/fatima-serro_day-by-day_up-beat-records.jpg400400António Ferreirahttps://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2022/08/discorama-logo-300x300.jpgAntónio Ferreira2023-04-09 21:36:182023-04-11 09:30:31Up Beat Records
Elliott Sharp – Octal: Book One (CD, Álbum) Vol. 2 2008
Elliott Sharp – Octal: Book Three (CD, Álbum) Vol. 8 2015
Elliott Sharp – Octal: Book Two (CD, Álbum) Vol. 4 2010
Elliott Sharp – Sharp? Monk? Sharp! Monk! (CD, Álbum) Vol. 1 2006
Elliott Sharp / Scott Fields – Scharfefelder (CD, Álbum) Vol. 3 2008
José Dias – After Silence Vol.1 (CD, Álbum) Vol. 10 2019
Vários – I Never Meta Guitar (Solo Guitars For The 21st Century) (CD, Comp) Vol. 5 2010
Vários – I Never Meta Guitar Three (Solo Guitars For The XXI Century) (CD, Comp) Vol. 7 2015
Vários – I Never Meta Guitar Too (Solo Guitars For The 21st Century) (CD, Comp) Vol. 6 2012
Vários – I Never Metaguitar Four (Solo Guitars For The 21st Century) (CD, Comp) Vol. 9 2017
Fonte: Discogs
José Dias – After Silence Vol.1 (CD, Álbum) Vol. 10 2019
https://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2023/04/jose-dias_after-silence_guitar-series.jpg400400António Ferreirahttps://www.discorama.pt/wp-content/uploads/2022/08/discorama-logo-300x300.jpgAntónio Ferreira2023-04-08 17:16:432023-04-11 09:38:19Guitar Series
Clean Feed é uma editora discográfica portuguesa dedicada à música jazz, fundada em Lisboa no ano 2001. Tem como sub-catálogos: Guitar Series, JACC Series, Ljubljana Jazz Series, Shhpuma.
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