Jorge Costa Pinto

Jorge dos Santos Costa Pinto, mais conhecido por Jorge Costa Pinto (Lisboa, 26 de novembro de 1932), é baterista, maestro, arranjador e editor português. O seu pai era músico profissional tendo sido o primeiro pianista a tocar em Portugal standards de jazz com uma grande orquestra. No entanto Jorge preferiu a bateria.

Jorge Costa Pinto apresentou-se pela primeira vez em palco aos 5 anos, no Cine-Teatro de Anadia (Portugal), acompanhando na bateria o pai (pianista). Quando tinha 12 ou 13 anos foi baterista da Orquestra Baía. Depois entrou para a famosa Orquestra Bolero. Participou na primeira “jam session” internacional, organizada por Luiz Villas-Boas, no “Café Chave d’Ouro”, em Lisboa,  sendo também um dos pioneiros na fundação do Hot Clube de Portugal.

Trabalhou no cabaret Arcádia e depois passou para o Negresco, onde tocava bateria, piano e acordeão. Foi aí que conheceu Amália Rodrigues em 1953. Aos dezassete anos tornou-se músico profissional no Casino da Póvoa de Varzim, com a “Orquestra Vieira Pinto”. Entretanto cursou Piano e Composição na Academia de Amadores de Música, tendo como professores, entre outros, Fernando Lopes-Graça (Composição e Arranjos), Maria Victória Quintas e Francine Benoit. Também estudou Música Contemporânea com Jorge Peixinho e Louis Saguer.

Com 26 anos foi convidado a integrar a orquestra do Ray Martino, que fez furor no final dos anos 50. Nos anos 60 efectuou trabalhos para Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, António Calvário e para o tenor José António.

Em 1965 frequentou o Colégio de Música de Berklee, em Boston, onde tirou o curso de Orquestração, Direcção de Orquestra e Harmonia Modal com Herb Pomeroy, J. Progris. Depois estudou Percussão com Alan Dawson. Tocar com Hazel Scott, Frederich Gulda, Marshall Brown, George Wein, enquanto baterista de jazz.

Aos 29 anos Jorge Costa Pinto dedicou-se à direcção de orquestra, deixando progressivamente a bateria. Nessa qualidade dirigiu orquestras, em vários países, e na África do Sul apresenta e gravou com a sua Orquestra Sinfónica música portuguesa e internacional, e por convite da South African Broadcast Corporation (SABC) e dirige concertos no City Hall e Auditório da SABC, em Joanesburgo.

Apresentou os seus grupos jazz, na Emissora Nacional pela primeira vez em 1958, pela mão de Luiz Villas-Boas e na televisão na RTP, com várias formações (sexteto, octeto e big band) apareceu em programas como “Jazz no Estúdio ‘A”, de divulgação do jazz. A big band, apresentada neste programa foi a primeira organizada em Portugal (1963) para tocar exclusivamente jazz.

Em Londres fez cursos de captação de som, corte de acetatos, galvanoplastia, e prensagem, dedicando-se também, a partir daí, à produção e edição musical e em 1973, em Nova Iorque, frequenta o curso de “Audio Engeneering” no “Institute of Audio Research”. Entre 1987 e 1989 leciona jazz na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa com a cadeira pós-graduação “Introduçao ao Jazz”, mantendo actividade lectiva até aos dias de hoje.

Em 2003 organizou a sua “Big Band Jorge Costa Pinto”, que apresenta no “XXII Festival Internacional de Jazz do Estoril”, no Hot Clube de Portugal, no Teatro Aberto, e em 2004 no “Quinto Funchal Jazz 04”, no “Festival de Big Bands da Nazaré” e no “Lagos Jazz 2004”, Casino do Estoril, CCB, entre outras por todo o país, com apreciável êxito, incluindo esporadicamente artistas convidados como Vicki Doney, e colaborações com a cantora “residente” Maria Viana e esporádicas com Fátima Serro e Kiko.

Produz e realiza na Antena 2 o programa o “Coreto”, de divulgação de música bandística mundial.

Parte da obra de Jorge Costa Pinto (jazz, música de câmara e música sinfónica) está publicada em partitura e gravada em disco, em Portugal, França, Espanha, Brasil, Japão, Estados Unidos, Inglaterra, Venezuela, Jugoslávia, Grécia.

Recebeu as seguintes distinções: “Medalha de Honra da SPA”, em 2005; “Medalha de Mérito” da Freguesia da Parede (Cascais), em 2007; “Medalha Municipal de Mérito Cultural”, da Câmara Municipal de Cascais, em 2008. É membro das organizações nacionais e internacionais: WASBE (World Association for Symphonic Bands and Ensembles ), APRS (Association of Professional Recording Services), IMMS (International Military Music Society), SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), AES (Audio Engineering Society), CCS (Circulo Cultural Scalabitano). Foi condecorado com a comenda da da Ordem de Mérito pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa em 2023.

Jorge Costa Pinto, maestro e compositor

Jorge Costa Pinto, maestro, compositor, editor, arranjador

Editor e arranjador

Fundou a editora Tecla em 1967. Os primeiros discos foram de João Maria Tudela e Florbela Queiroz. Depois editaram vários discos de Madalena Iglésias, numa altura em que trabalhava como arranjador para outras editoras.

Fez os arranjos da canção “Por Morrer uma Andorinha” de Carlos do Carmo ainda na editora Philipps. Depois ele veio para a Tecla e gravaram canções como “Gaivota”, “Canoas do Tejo” e “Pedra Filosofal”.

No cinema fez a banda sonora dos filmes “Portugal Desconhecido”, de Raúl Faria, Belarmino (1964) de Fernando Lopes, “Campista em Apuros” de Herlander Peyroteo e “Sarilho de Fraldas” de Constantino Esteves.

A editora Tecla fechou após o 25 de Abril.

Foi convidado por João Soares Louro, para trabalhar na RTP como assessor do Departamento de Programas Musicais e Recreativos na direcção de Carlos Cruz e Maria Elisa.

Criou a editora Jorsom onde editou trabalhos próprios, música clássica portuguesa.

Fonte: Wikipédia

Discografia

Álbuns

Jorge Costa Pinto And The S.A.B.C. Light Orchestra – Jorge Costa Pinto And The S.A.B.C. Light Orchestra ‎(LP, Álbum) Tecla TES 7001 1970
My Love ‎(LP) Tecla TES 7005 1974
Canoas Do Tejo ‎(LP, Álbum) Tecla TES 7 004 1974
Hergé, Jorge Costa Pinto – Tintin O Loto Azul ‎(LP) Vértice VES 70.013 1975
Folclore Orquestral 2 versões Chantecler 1978
Noites Da Madeira ‎(LP, Álbum) Tecla – Sociedade Comercial de Discos, Lda. TE 100 001 1978
Uma Orquestra Para O Sucesso ‎(LP) Fontana 6472 701 1979
Uma Orquestra Para O Sucesso Vol. 2 ‎(LP) Fontana 6472 702 1979
Sabor Latino ‎(LP, Álbum) Jorsom JO-86/001 1986
The Big Band Sound ‎(CD, Álbum) Jorsom J-CD / 7003 1992
Jorge Costa Pinto, National Symphony Orchestra Of The S.A.B.C. – Symphonic Pops ‎(CD, Álbum) Jorsom J-CD 7012 1995
The Heart Of Portugal ‎(CD, Álbum) GNP Crescendo GNPD 2242 1996
Top Of The Pops ‎(LP, Álbum) Tecla TES 7007
Música Nova ‎(LP, Álbum) Tecla TES 7008
Música De Sempre Volume II ‎(LP, Álbum) Tecla TE 100 003

Singles & EPs

Jorge Costa Pinto And The S.A.B.C. Studio Dance Band – Amor Vê Lá ‎(7″, EP) Tecla TE 5010 1973
Ricardo Alberty, Jorge Costa Pinto – A Galinha Verde 2 versões Decca
Os Dois Rapazes, Jorge Costa Pinto E A Sua Orquestra – Os Dois Rapazes ‎(7″, EP) A voz do dono 7 LEM 3096

Jorge Costa Pinto e a sua orquestra

João Barradas

João Barradas é um dos mais conceituados e reconhecidos acordeonistas europeus, movendo-se, simultaneamente, entre a música Clássica, o Jazz e a música improvisada.

Venceu alguns dos mais prestigiados concursos internacionais, entre os quais se destacam o Troféu Mundial de Acordeão, que venceu por duas vezes, a Coupe Mondale de Acordeão, o Concurso Internacional de Castelfidardo e o Okud Istra International Competition.

João Barradas é uma das figuras de maior destaque no acordeão Jazz, tendo gravado para a editora nova-iorquina Inner Circle Music e colaborado com diversos músicos de renome, nomeadamente com Greg Osby, Gil Goldstein, Fabrizio Cassol, Mark Colenburg, Jacob Sacks, Rufus Reid, Federico Malaman, Philip Harper, Bobby Sanabria, Tommy Campbell, Sérgio Carolino, Pedro Carneiro, entre muitos outros.

Em 2016 gravou, com a editora nova iorquina Inner Circle Music, o seu primeiro álbum enquanto líder. Directions conta com a produção de Greg Osby e com as participações de Gil Goldstein e Sara Serpa. O grupo é formado por João Barradas (acordeão), André Fernandes (Guitarra), João Paulo Esteves da Silva (Piano), André Rosinha (Contrabaixo) e Bruno Pedroso (Bateria).

Discografia

Acordeonista e compositor português nascido a 3 de fevereiro de 1992

Álbuns

João Barradas, Sérgio Carolino – Surrealistic Discussion ‎(CD, Álbum) 2013
Home: An End As A New Beginning ‎(CD, Álbum + DVD) Nischo Records NIS0003 2017
Directions ‎(CD) Nischo Records, Inner Circle Music NIS0001, INCM 057CD 2017
Portrait ‎(CD, Álbum) Nischo Records NIS0009 2020
Solo I – Live At Centro Cultural de Belém ‎(File, FLAC, MP3, Álbum) Nischo Records NIS0011 2020
Debut 2 versões Fuga Libera 2021
Postma / Jerjen / Barradas ☓ Arbenz – Conversation #5: Elemental 2 versões Florian Arbenz Hammer Recordings 2022
Daniel Bernardes, Filipe Quaresma, João Barradas – Vignettte ‎(CD, Álbum) Artway Next 2022
João Barradas, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Pedro Neves – J. S. Bach Keyboard Concertos ‎(CD) Artway Next 03 2022
Abdallah Abozekry, Ismail Altunbas, João Barradas, Loris Leo Lari – Cairo Jazz Station ‎(CD) Alpha Classics ALPHA831 2022

João Barradas, Debut

João Barradas, Bach Keyboard Concertos

Perfil
Jenny Silvestre

Jenny Silvestre é uma cravista e professora de cravo portuguesa.

Em 1997 ingressou na ESML, na classe de cravo de Cremilde Rosado Fernandes, onde concluiu o Curso de Licenciatura no ano de 2001.

Em 2007 terminou um curso de formação avançada na Escola Superior de Música da Catalunha (ESMUC), com a cravista Béatrice Martin, tendo, em paralelo, estudado órgão com o organista João Paulo Janeiro.

Jenny Silvestre, em Ermesinde, Valongo

Jenny Silvestre, em Ermesinde, Valongo

Faz o Doutoramento em Musicologia Histórica no Departamento de Ciências Musicais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa, sob orientação de Gerhard Doderer.

No âmbito da sua actividade como concertista, teve a oportunidade de participar na estreia mundial das obras “Magnificat em Talha Dourada” e “Horto Sereníssimo” do compositor Eurico Carrapatoso.

Leia AQUI a bio completa.

Discografia

J. S. Bach – António Eutáquio, António Miranda, Jenny Silvestre – Em Guitarra Portuguesa
(CD, Álbum), Som Livre 2005

Pietro Locatelli, Giuseppe Valentini, Luigi Bocherini – Levon Mouradian, Jenny Silvestre, APARM

Jenny Silvestre, Levon Mouradian

Inês Vaz

Nascida a 10 de Julho de 1988, em Lisboa, Inês Vaz iniciou os estudos musicais aos 6 anos com  José António Sousa, na Escola de Música Semibreve. Para além do estudo de Instrumento e Formação Musical com o seu professor, estudou também Música de Câmara com Paulo Jorge Ferreira. Desde cedo foi distinguida com prestigiados prémios na área do acordeão, a solo e a nível de música de câmara.

O seu percurso académico a nível musical foi sobretudo dedicado ao estilo clássico / contemporâneo, embora o seu crescente interesse pelo Jazz a tenha levado a estudar harmonia e improvisação com os professores António Palma e Victor Prieto. No seu percurso académico conta também com o curso de Ciências Farmacêuticas, concluído em 2011 no Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

A versatilidade é uma das suas características mais marcantes, dividindo a sua vida entre o ensino de acordeão e piano, performance, composição e produção musicais.

Os seus mais recentes projetos são o Duo instrumental Ciranda (acordeão e trompete), e Velvet Quintet (acordeão e quarteto de cordas).

Já colaborou como solista com a Orquestra e Coro Gulbenkian, Camerata Atlântica. Colaborou e colabora com vários artistas, destacando-se Vitorino e Salvador Sobral.

O seu primeiro trabalho a solo chama-se “Timeless Suite”, editado pela Jugular Publishing em 2021.

Inês Vaz participou em vários concertos de nível internacional, destacando-se apresentações ao vivo em Alemanha, Áustria, Canadá, Espanha, França, Inglaterra, Noruega, Suécia, Polónia, República Checa, Rússia e Taiwan.

É patrocinada pela marca Mengascini Accordions.

Inês Vaz, Timeless Suite

Hugo Vasco Reis

Hugo Vasco Reis é um compositor português de música contemporânea.

Discografia

  • Poema Anacrónico (2013)
  • Metamorphosis and Resonances (2017)
  • I am (k)not (2018)
  • O Espaço da Sombra (2018)
  • Chamber Music I (2019)
  • Voices and Landscapes (2021)
  • Tateabilidade (2023)
Tateabilidade, de Hugo Vasco Reis, 2023

Tateabilidade, de Hugo Vasco Reis, 2023

Hugo Vasco Reis, Chamber Music

Tateabilidade (2023)

“Tateabilidade” é um ciclo de cinco obras, compostas e interpretadas por Hugo Vasco Reis, desenvolvidas através do ato da experimentação, que relacionam a guitarra portuguesa, objetos, eletrónica e o sentido do tato. A guitarra portuguesa é colocada em cima de uma mesa e o discurso sónico é construído através da sua interação com a eletrónica e com os vários objetos que a rodeiam, tais como pedras, cordas, borrachas, limas, plásticos, arcos, e.bows, folhas de alumínio, copos, altifalantes e microfones.

Hugo Vasco Reis, 2023

Voices and Landscapes (2021)

“Voices and Landscapes” é um álbum que inclui cinco obras de Hugo Vasco Reis, compostas para diferentes instrumentações, nas quais a voz é o elemento comum, presente em todas as peças. O tema central deste deste álbum é a paisagem, o que levou o compositor a uma pesquisa de sons diversificados que vão desde a natureza até aos lugares urbanos, totalmente moldados pela ação humana. Foi ainda influenciado por poemas de Antero de Quental e Fernando Pessoa. Este trabalho teve o apoio do Ministério da cultura de Portugal, DGArtes, SPAutores e Antena 2.

Hugo Vasco Reis, 2021

O álbum “Voices and Landscapes” foi nomeado para os prémios SPAutores 2022, na categoria de melhor trabalho de Música Erudita.

Chamber Music I (2019)

“Chamber Music I” é um trabalho de música de câmara, com repertório contemporâneo, que explora diferentes combinações de instrumentos. Inclui cinco peças de autoria do compositor Hugo Vasco Reis, entre 2014 e 2018. Engenharia de som por António Pinheiro da Silva. Capa de Yari Ostovani. Este trabalho teve o apoio da Direção Geral das Artes, Antena 2 e Escola Superior de Música de Lisboa.

Hugo Vasco Reis, 2019

O espaço da sombra (2018)

São apresentadas peças cuja instrumentação varia entre solo, eletroacústica e música de câmara, mas sempre com a guitarra portuguesa como elemento solista e pensada como um corpo onde tudo pode ser tocado. Cada peça constitui um objeto fluido, onde tudo está em constante variação, tentando encontrar a poética musical, um espaço não temporal, a expressão, a qualidade do som e criar algo que revele o que cada um pode encontrar no seu interior.

Hugo Vasco Reis, 2018

I am (k)not (2018)

“I am (k)not” é uma criação e interpretação de Ana Jordão, sobre a qual Hugo Vasco Reis compôs um ciclo seis peças de música acusmática, resultado do cruzamento interdisciplinar entre ambos. O processo criativo desenvolve-se através da relação entre a expressividade, o gesto e o movimento. Entre o ritmo do corpo e a memória, de forma a encontrar interiormente, novos caminhos de escuta e perceção, num diálogo que oscila entre o sonho e a realidade. Durante o discurso de cada peça estão intrínsecos conceitos relativos ao processo criativo do compositor, encontrando-se gestos, focos, motivos e timbres, que criam em cada ciclo um discurso de ordem e desordem. Engenharia de som por António Pinheiro da Silva. Fotografia de Cláudio Garrudo e prefácio de Carlos Caires. Este trabalho teve o apoio da Direção Geral das Artes, Antena 2 e Escola Superior de Música de Lisboa.

Hugo Vasco Reis, 2018

Metamorphosis and Resonances (2017)

“Metamorphosis and Resonances” é um caderno de oito peças para instrumentos solo, que tem como ponto de partida processos intuitivos intimamente ligados a gestos, timbres, camadas, imagens e focos, que definem as progressões de tensão e distensão, os elementos formais e o discurso de cada obra. A ideia comum a todas as composições reflete um diálogo de cumplicidade e conflito, prazer e angústia, entre o Horizonte e o abismo, entre a metamorfose e a ressonância. As gravações foram realizadas por um leque notável de músicos composto por: Ana Castanhito (harpa), Cândido Fernandes (piano), Filipe Quaresma (violoncelo), Frederic Cardoso (clarinete baixo), Lourenço Macedo Sampaio (Viola d’arco), Monika Streitová (flauta), Paulo Jorge Ferreira (acordeão) e Pedro Rodrigues (guitarra clássica). Engenharia de som por António Pinheiro da Silva, com assistência de João Penedo. Fotografia de Cláudio Garrudo e prefácio de Sérgio Azevedo. Este trabalho teve o apoio da Direção Geral das Artes, Antena 2 e as gravações decorreram no auditório da Escola Superior de Música de Lisboa.

Hugo Vasco Reis, 2017

Poema Anacrónico (2013)

“Poema Anacrónico” marca a estreia do guitarrista Hugo Vasco Reis a solo. Neste projecto, a guitarra portuguesa apresenta-se como instrumento solista. São apresentadas três secções principais: guitarra portuguesa e piano (composições de António Victorino D’Almeida), guitarra portuguesa a solo (composições de Hugo Vasco Reis) e transcrições de obras de Carlos Seixas (1704-1742) de instrumento de Tecla, adaptadas para guitarra portuguesa e Viola da gamba. O trabalho foi produzido por Mário Dinis Marques e os músicos envolvidos, para além de Hugo Vasco Reis (guitarra portuguesa), foram Cândido Fernandes (piano) e Filipa Meneses (Viola da gamba). O prefácio é de António Victorino d’Almeida.

Hugo Vasco Reis, 2013

Biografia
Filipe Quaresma

Filipe Quaresma iniciou os estudos musicais na Covilhã, tendo como primeiro professor de violoncelo Rogério Peixinho na EPABI. Mais tarde estudou violoncelo em Londres, na Royal Academy of Music com David Strange e Mats Lidström, e em Florença, Scuola di Musica di Fiesole com Natalia Gutman. Participou também em classes de aperfeiçoamento com Colin Carr, Zara Nelsova, Frans Helmerson, Anssi Karttunen, Jian Wang, Eliaz Arizcuren, Márcio Carneiro, Luís Sá Pessoa, entre outros.

Obteve primeiros prémios em vários concursos nacionais tais como Prémio Jovens Músicos – RDP Antena 2, Concurso Internacional Júlio Cardona – Covilhã, e foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, Royal Academy of Music e Suggia Scholarship. Em 2010 obteve o Prémio Valter Boccacini da Scuola di Musica di Fiesole. Ainda no seu período académico integrou a Orquestra de Jovens da União Europeia, tendo tido a oportunidade de se apresentar nas principais salas de concerto europeias, assim como de trabalhar com os mais prestigiados maestros, tais como Sir Colin Davis, Vladimir Askehnazy, Mariss Janssons e Bernard Haitink.

É primeiro violoncelo da Orquestra Barroca da Casa da Música (CdM) e violoncelista do Darcos Ensemble. É violoncelista principal convidado do Remix Ensemble CdM, Sond’Arte Electric Ensemble e Oficina Musical. Já se apresentou a solo com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Drumming Grupo de Percussão, Coro Gulbenkian, Orquestra Barroca Casa da Música, Remix Ensemble CdM, Orquestra Filarmonia das Beiras, I Maestri Orchestra, St John´s Smith Square, entre outras. Em Novembro de 2013 foi convidado para integrar a Orchestre Révolutionnaire et Romantique com Sir John Eliot Gardiner, com a qual já gravou um disco dedicado às sinfonias de Beethoven.

Para além de já se ter apresentado em todas as principais salas de concerto de Portugal, e de integrar regularmente a programação dos principais festivais de música portugueses, também já tocou em Barcelona, Estrasburgo, Paris, Orleães, Reims, Antuérpia, Madrid, Viena, Witten, Berlim, Amesterdão, Colónia, Zurique, Luxemburgo e Bruxelas. Em 2011, com o Remix Ensemble, apresentou-se no Wiener Festwochen (Viena), e em 2012 no Festival Musica de Estrasburgo e na Filarmónica de Berlim. É também com o Remix Ensemble que tem vários discos editados com obras de Côrte- Real, Peixinho, Jorgensen, Nunes, Pinho Vargas, Pascal Dusapin e Luca Francesconi, sendo que o disco dedicado a Dusapin mereceu o destaque da revista Gramophone tendo sido colocado na lista da Escolha dos Críticos de 2013.

Trabalha com os mais aclamados compositores portugueses e estrangeiros da atualidade, num trabalho notável de expansão do repertório para violoncelo. Em 2014 lançou o seu primeiro disco a solo “Portuguese Music for Solo Cello” exclusivamente preenchido com obras de compositores portugueses, incluindo “Labirintho” de C. Azevedo e “Quasi Ostinato” de R. Ribeiro, obras a si dedicadas, com o qual teve as melhores críticas nacionais e internacionais.

É professor na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto.

Filipe Quaresma detém o prestigiado título “Associate” da Royal Academy of Music.

Filipe Quaresma, violoncelista português

Filipe Quaresma, violoncelista português

Discografia

Álbuns

Portuguese Music For Solo Cello ‎(CD, Álbum) Artway FQ-1-2014 2014
Filipe Quaresma, António Rosado – L. Freitas Branco / C. Franck: Sonatas for Cello and Piano ‎(CD, Álbum) Artway AR001 2017
Daniel Bernardes, Filipe Quaresma, João Barradas – Vignettte ‎(CD, Álbum) Artway 2022

Miscelâneas

Filipe Quaresma, António Rosado – Beethoven: Cello Sonatas & Variations ‎(CD) Artway AWR 021 004 2021

Filipe Quaresma, António Rosado

Luís Costa

Pianista português natural de Vila Nova de Gaia, Luís Costa apresentou-se a solo com a Orquestra Filarmonia das Beiras, Orquestra de Câmara da Maia, Banda Militar do Porto e Lusitanae Ensemble. Mantém contacto regular, em Madrid, com o pianista Joaquín Soriano, sendo também ele uma grande inspiração.

Dedica parte do seu tempo à música de câmara, tendo trabalhado com músicos como António Meneses, Lluis Claret, Hans-Peter Stenzl e António Chagas Rosa. Tem uma intensa actividade em Duo com o irmão violoncelista Fernando Costa. Entre os seus próximos projectos destacam-se concertos no Brasil, Santiago do Chile e China.

Gravou para a RTP e Antena 2, rádio CHIN e televisão NBC.

É representado pela agência KNS Artists.

Gravou CDs com obras de Scarlatti, Schumann e Chopin para a editora KNS Classical.

Apoiado pelo Banco BPI/Fundação La caixa, e iniciativa conjunta com a Fundação Júlio Resende, Luís Costa gravou um disco em memória do pintor Júlio Resende. “Com algumas das obras de sua inspiração, chegamos a um Conjunto inusitado de compositores com Stravinsky, Satie, Cesária Évora e Tom Jobim.” – afirmou o pianista.

Discografia

Fernando Costa/Luís Costa, Heritage, KNS Classical

Fernando Costa/Luís Costa, Heritage, KNS Classical

Luís Costa, Fantasie, KNS

Luís Costa, Fernando Costa, Revelação

Luís Costa, Em conversa, Homenagem a Júlio Resende

Luís Costa, Em conversa, Homenagem a Júlio Resende

Fernando Costa

Violoncelista nascido em Vila Nova de Gaia, Portugal, em 1991, Fernando Costa tem-se afirmado nos últimos anos como um valor seguro da nova geração de intérpretes em Portugal, somando prémios de prestígio à sua carreira. As suas atuações são marcadas por uma forte presença em palco, combinando um estilo dinâmico e impulsivo com a sua expressividade e sensibilidade musicais.

Fernando Costa iniciou os estudos de violoncelo com Valter Mateus e em 2013 terminou a Licenciatura com classificação máxima, na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, na classe de violoncelo de Jed Barahal.

Concluiu em 2015 o Mestrado em Performance Musical sob a orientação do prestigiado violoncelista António Meneses, na Escola Superior de Música de Berna, na Suíça.

Foi distinguido com bolsa de mérito do Instituto Politécnico do Porto (2010 e 2011) e com uma bolsa de estudo da Fundação Calouste Gulbenkian (2011).

Foi laureado em diversos concursos, entre os quais se destacam o 1.º Prémio no Prémio Jovens Músicos 2011 (Violoncelo, Nível Superior), 1.º Prémio no Concurso Internacional de Santa Cecília (2011), 1.º Prémio no Prémio Helena Sá e Costa, 2012, 1.º Prémio no ConCursos 2012 (música de câmara) e o 2.º Prémio no Prémio Jovens Músicos 2012 e 2013 (Música de Câmara, Nível Superior).

Atuou como solista acompanhado pela Orquestra Gulbenkian, Orquestra do Norte, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, e Orquestra Sinfonieta da ESMAE, entre outras. Apresenta-se tanto a solo como em música de câmara, mantendo uma actividade musical regular em Portugal e no estrangeiro.

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 2013 e 2015 e actualmente é representado pela KNS Artists.

O seu primeiro CD – Après un Rêve – foi editado em 2015 pela KNS Classical.

Discografia

Fernando Costa, Après um rêve

Fernando Costa/Luís Costa, Heritage, KNS Classical

Fernando Costa/Luís Costa, Heritage, KNS Classical

Fernando Corrêa de Oliveira

Compositor português nascido no Porto (2 de novembro de 1921 – 21 de outubro de 2004).

Discografia

Álbuns

Fernando Corrêa de Oliveira, Alcino Soares, Helena Sá e Costa – Três Sonetos Líricos Op. 16 / Três Sonetos Metafísicos Op. 2 / O Príncipe do Cavalo Branco Op. 6 ‎(LP, Álbum) Parnaso 962-C 1962
Trio Op. 17 / 7 Estudos Op. 18 / Variações Op. 10 ‎(LP, Álbum) Parnaso 962-B 1962
O Cábula Op. 12 (Ópera Infantil) ‎(10″, Álbum) Parnaso 965-F 1965

Singles & EPs

O Ratinho Ra-Tu-Di ‎(7″) Parnaso (2) 961-A 1961
50 Peças Para Os 5 dedos Op. 7 ‎(7″, EP) Parnaso (2) 965-E 1965
Fernando Corrêa de Oliveira, Madalena G. Araújo – 8 Peças Progressivas Op. 21 ‎(7″, EP) Parnaso 965-D 1965

Fonte: Discogs

Fernando Corrêa de Oliveira, O ratinho Ra-tu-di

Cupertinos

Grupo Vocal

Nascido no seio da Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão, em 2009, o grupo vocal Cupertinos dedica-se quase em exclusivo à música portuguesa dos séculos XVI e XVII, alicerçada num núcleo de compositores de renome mundial como Duarte Lobo (c.1565-1646), Manuel Cardoso (1566-1650), Filipe de Magalhães (c.1571-1652) ou Pedro de Cristo (c.1550-1618).

Com uma média anual superior a quinze concertos, os Cupertinos apresentaram já cerca de três centenas de obras, incluindo mais de cem inéditos. Numa abordagem performativa sem precedentes, vários destes inéditos têm sido transcritos a partir das fontes originais pelos próprios elementos do grupo sob a supervisão do seu diretor musical, Luís Toscano, e do Prof. Doutor José Abreu (Universidade de Coimbra e ESMAE).

Além do Festival Internacional de Polifonia Portuguesa, do qual são anfitriões, os Cupertinos têm participado em conceituados festivais de música, nomeadamente Ciclo de Requiem de Coimbra, Festival Internacional de Música religiosa de Guimarães, Ciclo de Música Sacra da Igreja Românica de São Pedro de Rates, Cistermúsica – Festival de Música de Alcobaça, Ciclo “Espaços da Polifonia”, Jornadas Polifónicas Internacionales “Ciudad de Ávila”, West Coast Early Music Festival, Bolzano Festival Bozen, Temporada Música em São Roque, Festival Terras Sem Sombra, Festival “Polyphony in Portugal” e Festival “Tage Alter Musik” em Regensburg.

Após a estreia no Reino Unido, em 2020, na série de concertos “Choral at Cadogan”, futuros compromissos incluem a apresentação no Wigmore Hall e na Estónia no “Haapsalu Early Music Festival”. Crescentemente reputados como verdadeiros embaixadores da Polifonia Portuguesa, os Cupertinos viram este epíteto reforçado com o lançamento dos seus trabalhos discográficos dedicados a Manuel Cardoso (2019) e Duarte Lobo (2020). Editados pela prestigiada etiqueta Hyperion, são presença assídua nas rádios clássicas por toda a Europa e América do Norte e têm sido aclamados na imprensa da especialidade (BBC Music Magazine, Gramophone, Choir & Organ, Chorzeit, Diapason, Classica, Scherzo).

Integram, desde 2022, a REMA (Réseau Européen de Musique Ancienne) – mais proeminente rede europeia dedicada à salvaguarda e divulgação da Música Antiga do espaço europeu, com 134 membros e representantes de mais de 20 países. Os Cupertinos conquistaram o primeiro galardão com a inclusão na “Bestenliste” da “deutscher Schallplattenkritik” e foram distinguidos nos Gramophone Classical Music Awards 2019, vencendo na categoria de “Música Antiga”. Foram finalistas na Edição de 2020 dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa e vencedores na categoria Melhor Álbum Música Clássica/Erudita na edição de 2021.

Após o reconhecimento nacional e internacional dos dois primeiros trabalhos discográficos do grupo, dedicados a Manuel Cardoso (2019) e Duarte Lobo (2020), os Cupertinos aprofundam a parceria com a prestigiada editora Hyperion voltando-se agora para Pedro de Cristo, outro dos nomes cimeiros do “Período Dourado” da Polifonia Portuguesa. Magnificat – Marian Antiphons & Missa Salve Regina apresenta um alinhamento de obras atribuíveis ao renomado músico conimbricense, incluindo vários inéditos, transcritas a partir dos manuscritos originais. Vinculados ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e actualmente preservados na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, estes manuscritos foram recentemente restaurados ao abrigo do protocolo entre a Fundação Cupertino de Miranda e a Universidade de Coimbra. Alusivas à temática Mariana, as obras apresentadas testemunham várias das características associadas à obra de Pedro de Cristo, como a grande clareza e variedade motívica, o reduzido âmbito da escrita a quatro vozes e o respeito pela pontuação, prosódia e estrutura do texto cantado.

Na sequência dos aclamados e galardoados trabalhos discográficos dedicados a Manuel Cardoso (1566-1650), Duarte Lobo (c1565-1656) e Pedro de Cristo (c1550-1618) em parceria com a conceituada editora Hyperion, o grupo vocal Cupertinos debruça-se agora sobre a figura daquele que terá sido o músico português de mais elevada reputação entre os seus contemporâneos: Filipe de Magalhães (c1563-1652). Quase integralmente composto por obras inéditas, o trabalho apresenta o Magnificat primi toni, em versão polifónica integral concretizada pelo Prof. Doutor José Abreu, e as missas Veni Domine e Vere Dominus est, baseadas, respectivamente, nos motetes homónimos de Francisco Guerrero (1528-1599) e Pierre de Manchicourt (c1510-1564). Em linha com um dos desígnios matriciais do grupo, a transcrição de ambas as missas foi materializada por elementos dos Cupertinos a partir do exemplar impresso original preservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, ao abrigo do protocolo entre a Fundação Cupertino de Miranda e a Universidade de Coimbra. Podem ainda ser destacados os Motetes Exsurge quare obdormis – uma das raras obras manuscritas atribuídas a Magalhães – e Commissa mea pavesco – evocação do Ofício de Defuntos que será, muito provavelmente, a obra de Magalhães mais difundida e interpretada internacionalmente. Em ambos os Motetes, uma oscilação quase dramática entre a penitência e a súplica é reflectida de forma exímia em concisos, mas pungentes momentos musicais que, por si só, justificariam o elevadíssimo prestígio que Filipe de Magalhães granjeou entre os seus pares.

Cupertinos, Requiem de Manuel Cardoso