Pedro Carneiro

Pedro Carneiro é um dos músicos mais dinâmicos e originais da sua geração. Já tocou em estreia absoluta mais de 30 obras e trabalha regularmente com um leque variado de prestigiados instrumentistas e compositores.

Estudou percussão, composição e direcção de orquestra no Guildhall School of Music and Drama, em Londres, onde terminou a licenciatura em 1997, com a distinção Head of Department Award. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e do Centre Acanthes.

Em 1997 foi o vencedor do Prémio Jovens Músicos e do Prémio Maestro Silva Pereira. Em 1998 foi o vencedor do Park Lane Young Artists Auditions, tornando-se o primeiro percussionista – nos 43 anos do concurso – a abrir a prestigiada série de recitais no South Bank Centre de Londres.

Estreou-se aos 14 anos de idade – num recital onde interpretou, de memória, Psappha de Xenakis – e desde então tem-se apresentado regularmente como solista em algumas das mais prestigiadas salas e festivais, destacando-se o Festival Nieuw Musik (Holanda), o Festival d’ Avignon e a Cité de la Musique (França), os Concertos Promenade da BBC e o Rhythmsticks Festival no Queen Elizabeth Hall (Londres), o Festival Internacional de Música de Macau e o Capital Theatre de Pequim, entre muitos outros.

Pedro Carneiro apresentou também palestras e orientou cursos de aperfeiçoamento nas Escolas Superiores de Música de Lisboa e Porto, na Universidade de Aveiro, na Guildhall School of Music and Drama, no Royal College of Music e na Hong Kong Academy of Performing Arts.

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Discografia

Álbuns

Crazy Mallets ‎(CD, Álbum) Deux-Elles DXL 1071 2003
Iannis Xenakis – Pedro Carneiro, Mathew Rich, Stephen John Gibson – Psappha, Rebonds A & B, Okho Pour Trois Djembés ‎(Hybrid, DVDplus, Álbum, Dig) Zig Zag Territoires ZZT 040901 2004
John Psathas, Pedro Carneiro, Michael Houstoun, Joshua Redman, Marc Taddei, New Zealand Symphony Orchestra – View From Olympus ‎(CD, Álbum+ DVD-V) Rattle Records RAT-DVD15 2006
Improbable Transgressions ‎(2xCD, Álbum) Sirr sirr 0028 2007
Gabriel Erkoreka – Pedro Carneiro, Michael Schmid, Nelleke Ter Berg, Iñaki Alberdi, Orquesta De La Comunidad de Madrid, José Ramón Encinar – Afrika – Kantak – Jukal – Akorda ‎(CD, Álbum) Stradivarius STR 33811 2008
Pedro Carneiro, John Psathas – Ukiyo ‎(CD, Álbum) Rattle Records RAT-D018 2010
Guilherme Rodrigues, Pedro Carneiro, Ernesto Rodrigues, Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino – The Book Of Spirals ‎(CD, Álbum) Creative Sources CS 641 CD 2020
José Lencastre Nau Quartet + Pedro Carneiro – Thoughts Are Things ‎(CD, Álbum, Ltd) Phonogram Unit PU4CD 2021
Carlos “Zingaro” & Pedro Carneiro – Elogio das Sombras ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF583CD 2021
Pedro Carneiro & Pedro Melo Alves – Bad Company ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF574CD 2021
Rodrigo Pinheiro, Pedro Carneiro – Kinetic Études ‎(CD, Álbum) Phonogram Unit PU3CD 2021

Fonte: Discogs

Pedro Carneiro, percussionista

Pedro de Freitas Branco

Pedro de Freitas Branco, distinto maestro português, nasceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1896 e faleceu a 24 de março de 1963.

Tendo revelado desde muito novo uma grande vocação para música, Freitas Branco cedo inicia os estudos de violino com o irmão Luís de Freitas Branco (o futuro compositor), prosseguindo-os mais tarde com André Goñi, discípulo do famoso violinista espanhol Pablo Sarasate. Os conhecimentos teóricos – harmonia e contraponto – recebe-os de Tomaz Borba e também do irmão. Posteriormente estuda ainda canto.

Após ter frequentado o Instituto Superior Técnico, que abandona em 1924 para se dedicar em exclusivo à música, Pedro de Freitas Branco, com tendência inata para a direcção de orquestra, dirige ainda como amador inúmeras óperas, operetas e concertos sinfónicos.

Em 1927 e já como profissional, funda a primeira Companhia de Ópera Portuguesa, com elementos inteiramente nacionais e um ano depois cria os Concertos Sinfónicos de Lisboa, cujos programas incluem inúmeras obras de autores contemporâneos. Durante 4 temporadas (os concertos terminaram em 1931), ouviram-se obras como: “O Pássaro de Fogo”, “Fogo-de-artifício” e a Suite nº 2 de Stravinsky; as Duas Imagens e a rapsódia para piano de Bartók com o próprio compositor como solista; o “Bolero” de Ravel; o “Pacific 231” de Honegger e as “Saudades do Brasil” de Darius Milhaud, entre muitas outras obras.

No início da década seguinte, ou seja em 1931, Pedro de Freitas Branco, é convidado por Ravel a deslocar-se a Paris para na Salle Playel dirigir um concerto inteiramente preenchido com obras daquele grande compositor francês. O concerto realiza-se em Janeiro de 1932. Ravel dirige em estreia o seu novo Concerto para piano e orquestra e ainda o “Bolero”, Freitas Branco dirige o resto do programa que inclui a Suite “Daphnis et Chloé”, a “Valsa”, a “Rapsódia Espanhola” e a “Pavana para uma Infanta Defunta”. Êxito absoluto, que o leva de imediato a ser convidado a dirigir as melhores orquestras da capital francesa, datando de então o seu prestígio como brilhante intérprete de música daquele país.

Entretanto em Portugal e também no início da década de 30, mais precisamente em 1934, era criada a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional à qual Freitas Branco esteve ligado desde a sua fundação, tendo sido o seu primeiro Maestro Titular, cargo que ocupou até à data da sua morte.

Durante a sua carreira, Pedro de Freitas Branco apresentou-se regularmente nos principais centros musicais europeus, nomeadamente em países como a Espanha, Inglaterra, Suíça, Alemanha Bélgica, Holanda, Itália e sobretudo França, onde gozava de enorme prestígio como grande intérprete dos autores franceses em geral e das obras de Ravel em particular.

Entre as orquestra que dirigiu encontram-se a Orquestra Nacional da Radiodifusão Francesa, a Orquestra Lamoureux, a Orquestra da BBC, a Orquestra Hallé e a Orquestra Sinfónica de Londres.

Em Portugal, com a Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional, destacam-se as inúmeras primeiras audições que realizou de obras modernas, portuguesas e estrangeiras, contribuindo assim para o enriquecimento cultural do país.

A sua última apresentação pública teve lugar no Cinema Tivoli em Lisboa a 16 de Dezembro de 1961.

António Ferreira (pianista e musicólogo)

Fonte: Antena 2, acesso a 15 de março de 2018

Discografia

De Falla, Orchestre Des Concerts De Madrid Dir. Pedro De Freitas-Branco – Le Tricorne/Le Tréteaux De Maître Pierre Erato, Erato

Pedro de Freitas Branco, maestro

Maria de Lourdes Martins

Maria de Lourdes Martins nasceu em 1926, em Lisboa. Aluna externa do Conservatório Nacional de Lisboa, teve como professora Maria Helena Martins, sua mãe. Em 1944, terminou o Curso Superior de Piano, na classe de Abreu Mota. Fez também o curso de cravo e de clavicórdio de Macário Santiago Kastner e foi aluna de Marcos Garin.

Em 1948, integrou a Direcção da Sociedade Internacional de Educação Musical, tendo terminado no ano seguinte o Curso Superior de Composição com os professores Artur Santos e Jorge Croner de Vasconcellos.

Tendo-se notabilizado também como pedagoga musical, Maria de Lourdes Martins diplomou-se em Orff-Schulwerk, no Mozarteum de Salzburgo (1965), cabendo-lhe o mérito da introdução deste sistema de aprendizagem musical infantil em Portugal. De 1983 a 1996, exerceu funções docentes no Conservatório Nacional de Lisboa, tendo-se aposentado de seguida.

Vencedora por duas vezes do Prémio de Composição da Fundação Calouste Gulbenkian, com O Encoberto (1965) e O Litoral (1971), Maria de Lourdes Martins escreveu para diversas categorias instrumentais. Num catálogo que ultrapassa as setenta composições, podem destacar-se as óperas Três Máscaras (1984) e A Donzela Guerreira (1995), além de diversos arranjos para melodias tradicionais portuguesas.

Maria de Lourdes Martins foi uma das fundadoras da Associação Portuguesa de Educação Musical, em 1972.

Fonte: MIC

Discografia

Singles & EPs

História De Natal ‎(7″, EP) The Decca Record Company Limited SPEP 1298

Miscelâneas

Tusa Erzsébet, Maria de Lourdes Martins – Obras Para Piano – Piano Works ‎(CD) Discoteca Básica Nacional, Portugalsom CD 870032/PS 1992

Maria de Lourdes Martins, compositora

Rafael Toral

Nascido em Lisboa, em 1967, Rafael Toral tem explorado ao longo da sua carreira as relações entre os fenómenos sonoros, como a ressonância ou as frequências diferenciais, e a capacidade humana da escuta criativa. Desta forma, desenvolveu um universo sonoro peculiar, integrando música ambiental, rock, improvisação e “sound design” em múltiplas práticas experimentais. Usando desde 1984 a guitarra eléctrica como parte de um instrumento electrónico complexo, Toral colaborou com Jim O’Rourke, John Zorn, Sonic Youth, Rhys Chatham e Phil Niblock, e já tocou em vários países europeus, EUA, Canadá e Japão. A sua música é publicada por editoras de seis países e é membro da orquestra electrónica MIMEO, com Keith Rowe e Christian Fennesz. Na sua opinião, o ruído não existe.

Fonte: MIC

Álbuns

Sound Mind Sound Body 3 versões AnAnAnA 1994
Wave Field 4 versões Moneyland Records 1995
Chasing Sonic Booms ‎(CD, Album) Ecstatic Peace! E# 33 1996
Aeriola Frequency 2 versões Perdition Plastics 1998
Violence Of Discovery And Calm Of Acceptance 3 versões Staubgold 2001
Electric Babyland / Lullabies ‎(CD, Álbum) Tomlab tom 027 2002
Harmonic Series ‎(LP, S/Sided, Etch, Ltd, Blu) Table Of The Elements Sm 62 2003
Engine – Live In Paris ‎(CD, MiniÁlbum) Touch TO:CDR4 2003
Harmonic Series 2 ‎(CD, Álbum) Vectors, Headz vector 1, HEADZ 24 2004
Space 4 versões Staubgold 2006
Fennesz / Rehberg / Toral & Feliciano – Live At Vila Nova De Foz Côa, May 29th 1999 ‎(File, MP3) TouchRadio TouchRadio 19 2006
Space Solo 1 3 versões Quecksilber 2007
Space Elements Vol. I 3 versões Staubgold 2008
Liveloop ‎(5xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
AER Series ‎(5xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
Mills Session ‎(2xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
Space Elements Vol. II 3 versões Staubgold 2010
Lee Ranaldo | Rafael Toral – Live In Bilbao ‎(File, MP3, 320) Noise Precision Library 2010
Space Elements Vol. III 3 versões Staubgold 2011
Rafael Toral, Davu Seru – Live In Minneapolis ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF248CD 2012
Love ‎(5xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2013
Saturn 2 versões Not On Label (Rafael Toral Self-released) 2017
Moon Field 2 versões Room40 2017
Space Solo 2 2 versões Staubgold 2017
Chris Corsano | Rafael Toral – Live In Boston ‎(File, MP3, 320) Noise Precision Library 2017
Space Collectives II ‎(3xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2017
Rafael Toral, Hugo Antunes, João Pais Filipe, Ricardo Webbens – Space Quartet ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF479CD 2018
Constellation In Still Time 2 versões Room40 2019
Tatsuya Nakatani | John Edwards, Rafael Toral – Live In Lisbon ‎(3xFile, FLAC) Noise Precision Library 2019
Rafael Toral, Mars Williams, Tim Daisy – Elevation ‎(CD, Album) Relay Recordings (3) relay 027 2019
Hilmar Jensson | Rafael Toral – Live In Lisbon ‎(File, FLAC) Noise Precision Library 2019
Rafael Toral, João Pais Filipe – Jupiter And Beyond 2 versões Three: four Records 2020

Singles & EPs

Lullabies ‎(7″, Whi) Meeuw Muzak mm013 1999
Cyclorama Lift 3 ‎(CD, EP) Tomlab tom 07 2000

Compilações

Live Tapes (1990 – 2003) ‎(5xFile, MP3, Comp, 320) Noise Precision Library 2009
Studio Tapes (1987-2003) Vol.2 ‎(5xFile, MP3, Comp, 320) Noise Precision Library 2009
Studio Tapes (1987-2003) Vol.1 ‎(9xFile, MP3, Comp, 320) Noise Precision Library 2009
Space Study 2 ‎(4xFile, MP3, Comp, 320) Noise Precision Library 2009

Miscelâneas

Early Works ‎(CD) Tomlab tom19 2002
Space Collectives ‎(3xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
Space Program Traces ‎(4xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
Space Study 5 ‎(6xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2009
Space Study 7 ‎(3xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2010
Electric Babyland Live ‎(4xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2010
Jim O’Rourke | Rafael Toral – Electronic Music ‎(3xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2010
C Spencer Yeh | Trevor Tremaine | Rafael Toral – Live In Cincinnati ‎(3xFile, MP3, 320) Noise Precision Library 2011
Space Collective 2 Live ‎(Cass, Ltd, Num) Notice Recordings NTR038 2015
David Toop | Sei Miguel | Rafael Toral – Live In Porto 2 versões Noise Precision Library 2017
Michael Zerang | Darin Gray | Rafael Toral – Live In Chicago ‎(File, MP3, 320) Noise Precision Library none 2017
Roger Turner | Rafael Toral – Live In London ‎(File, MP3, 320) Noise Precision Library 2017
Dean Roberts | Rafael Toral – Live In Philadelphia ‎(File, FLAC) Noise Precision Library none 2018
Ryan Jewell | Rafael Toral – Live In Lisbon ‎(CD) Noise Precision Library NPL 039

Fonte: Discogs

Alfredo Keil
Alfredo Cristiano Keil (Lisboa, 3 de julho de 1850 — Hamburgo, 4 de outubro de 1907) era filho do alfaiate alemão, Hans-Christian Keil, (mais tarde João Cristiano Keil) e da alsaciana, Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal.
A sua educação básica deu-se igualmente na Alemanha, berço do romantismo. Esta foi, talvez, uma das razões pelas quais o artista seguia a reboque das novas tendências, já estabelecidas na Europa.

Estudou desenho e música em Nuremberga, numa academia dirigida pelo pintor Wilhelm von Kaulbach e August von Kreling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressou a Portugal.

Em 1890, o ultimato inglês a Portugal ofereceu a Alfredo Keil a inspiração para a composição do canto patriótico A Portuguesa, com versos de Henrique Lopes de Mendonça. A cantiga tornou-se popular em todo o país e seria mais tarde feita hino nacional de Portugal – A Portuguesa.

Como compositor, ganhou destaque a sua ópera D. Branca (1888), Irene (1893) e Serrana (1899), então considerada a melhor ópera portuguesa.

Alfredo compôs a música de A Portuguesa, o hino nacional, em 1891, com letra do poeta e dramaturgo Henrique Lopes de Mendonça, aprovada em 1911, após a proclamação da República no ano anterior. Ironicamente, ele tinha morrido exatamente três anos antes do primeiro dia da Revolução.

Discografia

Alfredo Keil, Impressions poétiques, Tomohiro Hatta

Songs And Piano Pieces 3 versões Strauss 1999

Alfredo Keil, Tomohiro Hatta – Impressions Poétiques ‎(CD) MPMP

Segréis de Lisboa

Nos 50 anos dos Segréis de Lisboa

por Rui Vieira Nery

Manuel Morais nasceu em 1943 e fez os seus estudos musicais no Conservatório de Lisboa, onde teve como professor nada mais nada menos do que um dos mais célebres executantes de Viola e vihuela do mundo, Emilio Pujol. Nessa mesma escola foi também aluno de Santiago Kastner, um dos grandes pioneiros da Musicologia portuguesa e de todo o movimento moderno de redescoberta da Música Antiga no País.

Em 1962 e 63 participou nos seminários regidos por Safford Cape na Fundação Calouste Gulbenkian, e foi membro do primeiro Conjunto moderno de interpretação da Música Antiga em instrumentos originais em Portugal, o Grupo de Música Antiga de Lisboa, que surgiu em in 1964 como resultado direto dos ensinamentos de Cape.

Em 1968, graças a uma bolsa da mesma Fundação, foi admitido na Schola Cantorum de Basileia, na Suíça, que era então a Meca da prática performativa historicamente informada da Música Antiga, e aí foi aluno de alaúde de Eugen Dombois e estudou notações históricas com Raymond Meylan.

Em 1972, quando regressou a Lisboa, era por isso de longe o intérprete português mais especializado no repertório pré-oitocentista, e decidiu constituir o seu próprio grupo, embora convidando para o integrar alguns dos músicos locais com quem tinha trabalhado anteriormente.

Nasceram assim os Segréis de Lisboa, que depressa viriam a ter um impacto decisivo na vida musical portuguesa.

O primeiro LP do Conjunto, Música Ibérica da Idade Média e do Renascimento (1974), foi seguido, alguns anos mais tarde, pelo álbum duplo A Música no Tempo de Camões (1979), que continua a ser, em minha opinião, uma das grandes referências de toda a discografia de Música Antiga em Portugal.

Ao longo das décadas seguintes, os Segréis continuaram a lançar disco após disco, explorando diferentes áreas do repertório musical pré-romântico, em muitos casos em primeira gravação absoluta: canções e danças para o Teatro de Gil Vicente, o cancioneiro polifónico maneirista de Belém, cantatas profanas do início do século XVII, música orquestral e litúrgica de Carlos Seixas, obras sacras de João de Sousa Carvalho, Luciano Xavier dos Santos e José Joaquim dos Santos, ou música de salão do reinado de D. Maria I.

Mas sobretudo tocaram de forma intensiva por todo o País, das grandes salas de concerto de Lisboa e do Porto a pequenas igrejas e teatros de pequenas localidades onde muitas vezes nunca se tinha ouvido Música Antiga nos tempos modernos. E, ao mesmo tempo, fizeram frequentes digressões internacionais, por vezes a convite de importantes festivais de Música Antiga, mas também recorrentemente para acompanharem as viagens oficiais de chefes do Estado ou do Governo portugueses, como expoentes respeitados do que havia de melhor na cultura musical de Portugal.

Durante os últimos cinquenta anos, nenhum outro Conjunto fez mais para levar a Música Antiga aos hábitos de escuta do público português, ou para representar e promover internacionalmente o património musical português.

Foram muitos os músicos que, numa ou outra etapa, integraram os Segréis de Lisboa, quer no palco, quer em estúdio: Jennifer Smith, Helena Afonso e Ana Ferraz (sopranos), Alexandra do Ó (meio-soprano), Fernando Serafim e Rui Taveira (tenores), Orlando Worm e António Wagner Diniz (barítonos), Catarina Latino e Pedro Couto Soares (flauta de bisel), Anabela Chaves e António Oliveira e Silva (Viola de arco), Pilar Torres, Kenneth Frazer e Miguel Ivo Cruz (Viola de gamba), Luísa Vasconcelos (violoncelo), Duncan Fox (contrabaixo), Joaquim Simões da Hora (órgão), ou Rui Paiva (cravo), entre outros.

Pessoalmente, nunca se me apagarão as memórias felizes das várias ocasiões em que com eles me apresentei como cravista, em especial a da primeira audição que demos em Portugal do Combattimento di Tancredi e Clorinda de Monteverdi nas Jornadas Gulbenkian de Música Antiga, em 1981, com uma espantosa interpretação do narrador por Helena Afonso, ou de quando tocámos na missão jesuíta de Chiquitos, uma monumental estrutura setecentista toda de madeira, para um público de mais de dois mil espectadores, na sua maioria oriundos das aldeias indígenas circundantes, a aplaudirem furiosamente as modinhas brasileiras enfeitiçadoras de Jennifer Smith.

Para comemorar o quinquagésimo aniversário da criação dos Segréis de Lisboa, bem como a celebração dos seus próprios oitenta anos, Manuel Morais decidiu regressar ao estúdio para produzir um novo álbum, juntando para isso um elenco de jovens músicos talentosos – incluindo a sua neta Matilde – para um programa fora do comum. Uma parte dele consiste em peças que foram, no decurso das últimas cinco décadas, pilares dos concertos e gravações do grupo, como uma evocação comovente do passado: polifonia do século XV associada à forte ligação que então existia entre as cortes de Portugal e da Borgonha, música para alaúde do Renascimento, vilancicos e romances portugueses e espanhóis do século XVI.

Mas, ao mesmo tempo, Manuel Morais, que sempre fez questão de sublinhar a constante interação entre elementos populares e eruditos na Música Antiga ibérica, expande agora este princípio ao incorporar no programa do disco diversas peças de Música Popular urbana portuguesa adaptadas à instrumentação renascentista, desde alguns dos exemplos mais remotos do Fado a uma canção de um dos grandes sucessos de comédia de Cinema dos anos 30 ou a duas baladas maravilhosas do mais importante cantor-autor português da segunda metade do século XX, José Afonso.

E como, por outro lado, sempre insistiu que a interpretação da Música Antiga é, acima de tudo, uma experiência viva, independentemente de em quanta informação histórica e musicológica se baseia, decidiu lançar um desafio a vários compositores contemporâneos para escreverem para estes instrumentos antigos, tendo em consideração a sua delicadeza sonora e o espírito do respetivo repertório original, mas a partir de uma abordagem claramente moderna e individual – Ivan Moody, João Vaz, Eurico Carrapatoso e Sérgio Azevedo.

O resultado é um fascinante – ainda que inesperado – mosaico de momentos musicais contrastantes, unificados por uma permanente sensação de enorme fluência musical, de comunicação emocional sincera, e a cada momento por uma alegria exuberante de fazer música. Que melhor forma de comemorar os 50 anos dos Segréis de Lisboa e toda uma vida de serviço público distinto do seu fundador e diretor? Muito obrigado por tudo, Manuel.

Rui Vieira Nery

Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança

Discografia

Álbuns

Música Ibérica da Idade Média e do Renascimento (LP, Álbum) A voz do dono 1974

A Música no Tempo de Camões = Music In The Time Of Camões (2×LP, Álbum, Stereo) A voz do dono 1979

Segréis de Lisboa / João de Sousa Carvalho e Carlos Seixas – Cremilde Rosado Fernandes / Simões da Hora – XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura – Portugal /1983 – Os Descobrimentos Portugueses e a Europa do Renascimento (3×LP, Álbum) Valentim de Carvalho, Valentim de Carvalho, Valentim de Carvalho 1983

Música Portuguesa Maneirista – cancioneiro Musical de Belém 3 versões Movieplay 1988

Música de Salão do Tempo de D. Maria I – Portuguese Salon Music Of The Late Eighteenth And Nineteenth Century – Modinhas , Conçonetas e Instrumentais (CD, Album) Movieplay 1994

Segréis de Lisboa, Coro de Câmara de Lisboa – La Portingaloise – Música do Tempo dos Descobrimentos / Music from the Age of Discoveries 3 versões Movieplay Classics 1994

Stabat Mater Miserere: Tributo a José Joaquim dos Santos (CD, Álbum) Movieplay 1997

Ana Ferraz, Alexandra do Ó, Segréis de Lisboa – Música na Corte De D. João V – Cantatas Humanas a Solo e a Duo 2 versões Movieplay 1997

Modinhas e Lunduns dos Séculos XVlll E XlX (CD, Álbum) Movieplay 1997

Carlos Seixas, Segréis de Lisboa, José Luis González Uriol – Concerto, Sonatas (CD, Álbum) Portugaler 2002

Segréis de Lisboa, Manuel Morais – Música para o Teatro de Gil Vicente / Music For The Plays of Gil Vicente (CD, Álbum) Portugaler 2006

Segréis de Lisboa, Coral Lisboa Cantat – Carlos Seixas – Musica Sacra (CD, Álbum, Stereo) Portugaler

Segréis de Lisboa, Música de salão no tempo de D. Maria I

Segréis de Lisboa, O alaúde na Península Ibérica

Segréis de Lisboa, O alaúde na Península Ibérica

Sandra Medeiros

Sandra Medeiros é uma soprano portuguesa que nasceu em S. Miguel, Açores.

Estudou no Conservatório Regional de Ponta Delgada, com Imaculada Pacheco. É licenciada em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa tendo integrado a classe da professora Joana Silva.

Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e Centro Nacional de Cultura prosseguiu estudos de pós-graduação em canto com Julie Kennard e Clara Taylor na Royal Academy of Music (RAM) em Londres, onde se graduou com “Distinção”, obteve o Dip. RAM e o prémio Amanda von Lob memorial Prize.

Frequentou cursos de aperfeiçoamento em Portugal, Áustria, Espanha, Inglaterra e França com personalidades do meio musical erudito tais como Ileana Cotrubas, Teresa Berganza, Marimi del Pozo, Gundula Janowitz, Frank Ferrari, Jill Feldman, Paul Esswood, entre outras.

Foi premiada em concursos nacionais e internacionais de canto dos quais se destaca o 2º Prémio no V Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão no Brasil.

A sua atividade como solista distribui-se pela música antiga, oratório, lied, melodie, canção do séc.XX/XXI e ópera, tendo actuado sob a direção dos maestros Michael Corboz, Lawrence Foster, Marc Minkowski, Philippe Herreweghe, Sir Charles Mackerras, Laurence Cummings, Enrico Onofri, Jose Ramon Encinar, Giancarlo De Lorenzo, Jose Ramon Encinar, Giancarlo De Lorenzo, Nicolay Lalov, Christopher Bochmann, Jorge Matta, Osvaldo Ferreira, Rui Pinheiro, João Paulo Santos, entre outros.

Também actuou com as mais destacadas orquestras portuguesas, com os mais conceituados grupos de música antiga portugueses, nomeadamente Os Músicos do TejoDivino Sospiro, com as orquestras Barroca da RAM, Camerata Lysy de Gstaad, Sinfonia Varsóvia, Concerto Köln e com o grupo L’Avventura London.

Gravou para as rádios Portuguesa, Búlgara e Inglesa, para as televisões Portuguesa, Espanhola e Brasileira e para as editoras Naxos e Hyperion.

A música contemporânea portuguesa tem tido um papel de destaque na sua carreira tendo feito a estreia absoluta de quatro óperas dos séculos XX e XXI, e de muitas obras de compositores como João Madureira, Carlos Marecos, Carlos Caires, Nuno Côrte-Real, Sérgio Azevedo, Emanuel Frazão, Rogério Medeiros, entre outros.

No domínio da ópera os seus papéis incluem, Barbarina (Le Nozze) Princese (L’énfant et Les Sortiléges), Dragonfly (A raposinha matreira), Frasquita (Carmen), Serpina (Serva padrona), Cardella (Frate Nnamorato), Carlota (As Damas Trocadas, Marcos Portugal), Lindane (Lindane e Dalmiro, Cordeiro da Silva), Flaminia (Il Mondo della luna, Pedro Avondano), D. Anna (D. Giovanni), entre outros.

É convidada regular das temporadas dos principais teatros, salas de concerto e festivais de música portugueses. Tem-se apresentado, também, em importantes salas, teatros e festivais do Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Luxemburgo, Macau, Bulgária, Brasil e Uruguai.

Sandra Medeiros

Sandra Medeiros, soprano

Discografia

Various – Hyperion New Release Sampler – November 2012 ‎(8xFile, MP3, Smplr, VBR) Hyperion HYP201211 2012
L’Avventura London, Zak Ozmo – 18th-Century Portuguese Love Songs ‎(CD) Hyperion CDA67904 2012

Sandra Medeiros, Joana Seara

Raquel Camarinha

Raquel Camarinha é uma soprano portuguesa.

Em palco, Raquel Camarinha apresenta-se em variados papéis e é especialmente considerada pela crítica nas suas interpretações de Mozart (Pamina, Susanna, Zerlina) e Haendel (Morgana, Bellezza). É convidada dos principais teatros franceses (Chatelet, Chorégies d’Orange, Opéra Comique, Philharmonie de Paris) e europeus (Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, Suíça).

Desenvolve igualmente um grande interesse pelo reportório mais recente, tendo estreado obras de vários compositores portugueses e estrangeiros, nomeadamente duas óperas de Luís Tinoco, Evil Machines (2008) e Paint Me (2010), La Passion de Simone de K. Saariaho, e Giordano Bruno de Francesco Filidei.

É convidada regularmente na televisão e rádio francesas (France 2, Arte, France Musique, Radio Classique, RFI) e portuguesas (RTP2, Antena 2). Em 2014, France Musique dedicou-lhe uma emissão no programa “Génération Jeunes Interprètes” de Gaelle Le Gallic.

Em disco, Raquel Camarinha gravous para a Naxos obras para soprano e orquestra de Luís Tinoco, assim como um CD de obras contemporâneas para canto e piano intitulado Apparitions. Projectos futuros incluem a gravação da integral das melodias de Chopin para a editora Mirare e um CD de Mélodie Française para a editora Naïve.

Saiba mais AQUI.

Discografia

Luís Tinoco – Ana Quintans, Yeree Suh, Raquel Camarinha, Orquestra Gulbenkian, David Alan Miller – Round Time ‎(CD, Álbum) Naxos 8.572981 2013

Raquel Camarinha, Rencontre

Quarteto de Cordas de Matosinhos

Quarteto de Cordas de Matosinhos é formado por Vítor Vieira (violino), Juan Maggiorani (violino), Jorge Alves (Viola), Marco Pereira (violoncelo).

Aclamado como um “caso singular de excelência no panorama musical português” (Diana Ferreira, Público, 2010), o Quarteto de Cordas de Matosinhos (QCM) foi criado pela Câmara Municipal de Matosinhos através de um concurso público.

Desde 2008 é residente desta cidade, onde desenvolve uma temporada regular de concertos.

Na temporada de 2014/15, o QCM foi escolhido como uma das ECHO Rising Stars, por nomeação da Casa da Música e da Fundação Gulbenkian, realizando uma digressão de 16 concertos em algumas das mais importantes salas de concerto europeias, como o Barbican em Londres, o Concertgebouw em Amesterdão, o Musikverein em Viena, as Philharmonies de Hamburgo e Colónia e a Konzerthaus de Dortmund.

Apresenta-se também regularmente nas maiores salas de concerto portuguesas, como a Casa da Música, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Cultural de Belém, e colabora com alguns dos mais destacados músicos portugueses, tais como Pedro Burmester, António Rosado, Miguel Borges Coelho, António Saiote, Paulo Gaio Lima e Pedro Carneiro.

Desde a sua criação, o QCM assumiu um forte compromisso com o repertório português para quarteto de cordas, interpretando muitas obras menos conhecidas e abraçando novas obras de compositores contemporâneos: estreou já mais de 20 novas obras. O outro principal objectivo artístico do QCM vem sendo cumprido com a interpretação em Matosinhos do grande repertório para quarteto de cordas: as obras completas de Mozart e Mendelssohn foram já apresentadas, estando em curso as integrais de Haydn, Beethoven e Chostakovitch.

O QCM e os seus membros foram reconhecidos com prémios nos mais importantes concursos musicais nacionais, como o Prémio Jovens Músicos da RDP e o Concurso Internacional de Música de Câmara “Cidade de Alcobaça”. Todos os membros estudaram na Academia Nacional Superior de Orquestra e aperfeiçoaram a sua arte em várias escolas de prestígio, incluindo a Escuela Superior de Música Reina Sofía (Madrid), a Northwestern University (Chicago) e o Conservatório de Sion (Suíça). O QCM também realizou formação especializada no Instituto Internacional de Música de Cámara de Madrid, onde estudou com Rainer Schmidt (violinista do Quarteto Hagen), além de trabalhar em classes de aperfeiçoamento com membros de grandes quartetos de cordas, como Alban Berg, Lasalle, Emerson, Melos, Vermeer, Kopelman e Talich.

Quarteto de Cordas de Matosinhos

Performa Ensemble

O Ensemble é um dos grupos de música de câmara especializados na performance de música contemporânea mais ativos em Portugal. Foca a sua actividade na área da composição e da execução instrumental, através da estreia, divulgação e gravação de obras de autores que manifestem interesse num trabalho colectivo e interactivo com os intérpretes. Pretende assim dar lugar a um intercâmbio de ideias e realizações que permitam uma reflexão teórica, apoiada na prática instrumental, na criação e na interdisciplinaridade.

O Ensemble tem mantido uma actividade de concertos regular em Portugal, com o apoio da Universidade de Aveiro e financiamento da Direcção Geral das Artes (Governo de Portugal), salientando-se apresentações na Casa da Música do Porto e no Festival Música Viva, assim como em salas e festivais de vários países, como Brasil, Itália, Irlanda, Reino Unido e Espanha.

O Performa Ensemble tem frequentemente encomendado e estreado obras de compositores portugueses ou residentes em Portugal.

O Ensemble gravou e participou em vários CDs: “Crossover” (2008), “Cultures électroniques 20” (2008), “Momentum” (2010), “7 Pomegranate Seeds” (2012), “Fados” (2014), e “Intertextualities / Interculturalities” (2018). Um outro projeto mais recente, sobre compositoras portuguesas dos séculos XX e XXI, foi selecionado pelo DGARTES – Internacionalização para uma tourné internacional em 2016, e foi gravado em CD em 2019.

Em 2020, esteve em execução o projecto ‘Cidades Invisíveis’ que ganhou também o apoio da DGARTES – Apoios Pontuais, Criação.

Discografia

Performa Ensemble