Jacinta

Aclamada na crítica portuguesa pela sua “voz quente, redonda, possante” (Miguel Soares, Comércio do Porto), Jacinta recebeu o prémio “Músico Revelação 2001” do programa Cinco Minutos de Jazz (Antena 1, desde 1966) e foi referida como “A cantora de jazz portuguesa”, por José Duarte.

Jacinta deu os seus primeiros passos artísticos através do estudo da música clássica em piano e composição, percurso pouco comum numa cantora de jazz. Integrou vários grupos como cantora e instrumentista, chegando a liderar um grupo de rock sinfónico. É no entanto no mundo do jazz que a sua energia musical encontra plena expressão.

Aos 22 anos uma excelente actuação de jazz vocal no programa Chuva de Estrelas impulsionou a sua carreira como cantora, tendo sido solicitada para inúmeros concertos a partir de então.

Em 1997 Jacinta mudou-se para Nova Iorque para frequentar a Manhattan School of Music, onde foi premiada com bolsa de estudos para realização de Mestrado em Jazz Vocal. Ainda em Nova Iorque, Jacinta participou em workshops por grandes nomes do jazz contemporâneo, como Elvin Jones, Maria Schneider, Ed Neumeister, Mark Murphy, Dave Holland e Annie Ross. Prosseguiu estudos de improvisação com Chris Rosenberg da banda de Ornette Coleman, e de interpretação estilística com Peter Eldridge dos New York Voices. Jacinta começou a cantar profissionalmente em Nova Iorque, deslumbrando o público com o seu estilo enérgico.

Mais tarde, durante os quatro anos em que residiu na área de São Francisco, Califórnia, Jacinta actuou profissionalmente em vários projectos musicais apresentando-se também em clubes de jazz de renome mundial como Kimball’s East e Yoshi’s.

Em 2001, a convite do trompetista/produtor Laurent Filipe, Jacinta apresenta-se ao vivo com o projecto Tributo a Bessie Smith.

Depois deste grande êxito no panorama musical Português, Jacinta procurou novos caminhos e novas abordagens, dedicando-se a vários projectos satélite como são exemplo Jacinta Canta Monk e Jacinta Canta Brasil.

Com este programa específico, Jacinta apresentou-se sete noites no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, tendo sido recebida com lotação esgotada todas as noites. Aqui, o sentido rítmico da cantora volta a destacar-se, denotando-se uma entrega e um conhecimento intrínseco musical que proporciona ao ouvinte uma sensação de leveza e de grande naturalidade.

Em 2006, a Blue Note/EMI Portugal lançou Day Dream, o segundo trabalho discográfico de Jacinta.

Este disco surge de uma nova etapa musical onde a cantora redescobre Duke Ellington e alarga o seu espectro musical ao incluir temas de projectos bem distintos. O vanguardista Greg Osby, saxofonista, arranjador e produtor do projecto, ao deparar-se com os trabalhos recentes da cantora, propõe a inclusão no disco de compositores tão diversificados como Djavan, Cole Porter, Tom Jobim, Duke Ellington, Zeca Afonso, Martin e Monk – todos objecto de estudo da cantora. Este disco poderá ser um marco pela forma como os instrumentistas tocam e se expandem criativamente, em permanente dialogo entre si e com a cantora que por sua vez interage com a banda, abordando as melodias com a fluidez de um instrumento de sopro. Esta abordagem resulta numa música fresca, moderna, marcada com um swing forte do Jazz Mainstream mas de corrente contemporânea. Num esforço de maior aproximação deste estilo musical ao público Português, Osby sugeriu a inclusão de adaptações de alguns dos temas para língua Portuguesa. Na Tournée de Day Dream, de 20 concertos a nível Nacional, Jacinta foi recebida entusiasticamente por um público eufórico e apreciador que lotou um grande número de salas do país.

No início de 2007 Jacinta deu inicio a uma nova etapa na sua carreira: avançou com produção independente de agenciamento e management.

A música de Zeca Afonso tornou-se o foco de atenção da cantora, neste ano da comemoração dos 20 anos da morte do compositor/cantor. A música do Zeca sempre fascinou Jacinta e foi objecto de estudo por varias vezes ao longo da sua carreira. Jacinta levou a publico Zeca Afonso, integrado ora em eventos comemorativos ora na abertura dos seus próprios concertos de jazz. Em 2007, Jacinta redescobriu a obra do autor, na procura dos temas musicalmente mais arrojados que permitissem um programa completo e uma abordagem jazzística. Neste processo a cantora percebeu a elevada qualidade dessas canções e surgiu a vontade de um registo discográfico.

Nesse ano os vinte editores europeus da revista Reader’s Digest escolhem Jacinta como a melhor jovem artista de jazz do continente europeu em 2007, no âmbito da iniciativa “O Melhor da Europa”. A revista tem uma tiragem mensal de 4 milhões de exemplares em toda a Europa.

O seu terceiro álbum – “Convexo” [a música de Zeca Afonso] – lançou Jacinta num novo percurso sonoro. A espontaneidade, frescura, e a abordagem do Cool Jazz, juntos com novas harmonias e vibrante ritmo, transformou a música de cariz popular Portuguesa e deu-lhe um sofisticado groove jazzístico que apela a novas audiências.

A criatividade de execução e interpretação, em formato de Trio com Rui Caetano ao piano, Bruno Pedroso na bateria e a voz única de Jacinta, fazem desta sua primeira produção independente um projecto singular.

Em 2008, Jacinta realizou a maior Tournée de Jazz em Portugal, tendo passado por mais de 20 salas portuguesas com o espectáculo ”Convexo”. Ainda no final de 2008 Jacinta, agora com a sua própria editora, atinge com a terceira edição do

“Convexo” [a musica de Zeca Afonso] vendas superiores a 20 mil unidades, o que a torna novamente merecedora de um Disco de Ouro.

…”Convexo ( …) revela um repertório pouco convencional do autor, longe dos clichés (…) em que Jacinta desenvolve e explora, recria e expande a musica do autor…” – Almanaque in Visão

Em 2009, a convite do reconhecido programador Jorge Salavisa, Jacinta realizou uma serie de 9 concertos, em Lisboa, com um novo projecto denominado “Songs Of Freedom”. Com este espectáculo Jacinta voltou a surpreender ao trabalhar êxitos pop transformando-os em jazz, apresentando-se em palco com piano e saxofones tenor e barítono. Jacinta voltou a dar o seu contributo para a História da Música Portuguesa e do Jazz português ao esgotar por completo esta serie de concertos, no prestigiado Teatro São Luiz.

Em 2009 foi convidada para realizar uma Residência Artística de 11 dias, e a inaugurar musicalmente o espaço BES Arte & Finança. Aqui foi protagonista em variadas actividades, como, workshop de Jazz vocal, sessão de coaching musical, rubrica denominada “Jacinta convida”. Estiveram presentes músicos em jam sessions, ensaios abertos e dois concertos. Em formato de Trio, acompanhada por Pedro Costa ao piano, e Paulo Gravato nos saxofones tenor e barítono, demonstraram que o Jazz pode ser ouvido por todos e em todo o lado. Esta iniciativa foi um sucesso musical no espaço BES Arte & Finança, onde Jacinta contou novamente com uma sala efusiva, entusiasta e esgotada.

Ainda em 2009 Jacinta lançou o quarto álbum “Songs of Freedom”, com célebres temas dos anos 60, 70 e 80, de artistas, como Ray Charles, Stevie Wonder, James Brown, Nina Simone, Bob Marley, The Beatles, U2, entre outros. Neste álbum editado pela Blue Note, Jacinta continua a comprovar a sua qualidade, sendo mais uma vez reconhecida através desta prestigiada etiqueta.

Este álbum tem como mote de inspiração o sucesso do espectáculo desenvolvido no Teatro São Luiz. Neste projecto Jacinta revela todo o seu potencial enquanto intérprete, toda a dimensão da sua voz, por vezes portentosa, outras vezes sublimemente delicada e a sua competência a nível do Swing. Aqui mais uma vez, foram escolhidos percursos ousados, em formato de Trio com piano e saxofone tenor e barítono. Com este formato minimalista foi possível dar ênfase à riqueza musical contida nestas canções, desenvolvendo e tirando partido das suas fortes estruturas harmónicas e melódicas.

2010 é o ano da expansão da carreira de Jacinta para o mercado internacional. Participações em vários festivais de jazz como o de Atenas, o de Cartago e o de Istambul, assim como o Duo com o grande pianista de vanguarda Jason Moran, projetam Jacinta para o nível dos grandes intérpretes de jazz, conduzindo assim o legado das divas do Jazz e do swing.

Jacinta, cantora jazz

Jacinta, cantora jazz

Discografia

Álbuns

A Tribute To Bessie Smith 4 versões Blue Note, EMI Music Portugal 2003
Day Dream 2 versões EMI Music Portugal 2006
Convexo (A Música de Zeca Afonso) 2 versões HM Música 2007
Songs of Freedom 2 versões EMI Music Portugal 2009
Recycle Swing ‎(CD) Honey Bee Records 11305 2011

Singles & EPs

A Tribute to Bessie Smith ‎(CD, Single) Blue Note CDPRO 03/03 2003
Jacinta Sings Songs of Freedom ‎(CD, Single, Promo) EMI Music Portugal, Capitol Records 5099945882821 2009

Miscelâneas

Jacinta ‎(CDr)

Jacinta, Day Dream, 2006

Hugo Carvalhais

Hugo Carvalhais nasceu no Porto em 1978. Diplomou-se em Pintura na Faculdade de Belas Artes do Porto. Apesar de ser autodidacta, estudou e participou em seminários com músicos como Ron Carter, Eddie Gomez, Mario Pavone e Miroslav Vitous. Considerado um dos mais talentosos e originais contrabaixistas portugueses da sua geração, tem integrado projectos e acompanhado músicos como Julian Arguelles, Émile Parisien, Sheila Jordan, Nuno Ferreira, Jefferey Davis, Art Themen, entre outros.

Em 2010 foi lançado o seu primeiro disco como líder de um grupo que integrava o saxofonista Tim Berne. Nebulosa foi considerado um dos melhores álbuns do ano pela revista Jazz.pt e teve óptimas críticas na imprensa nacional e internacional.

Discografia

Álbuns

Nebulosa ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF201CD 2010

Particula ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF253CD 2012

Grand Valis ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF330CD 2015

Ascetica 2 versões Clean Feed  2022

Hugo Carvalhais, Grand valis

Hugo Alves

Perfil

Em 2004 fundou em Lagos a “Orquestra de Jazz de Lagos”, uma Big Band com 18 músicos.

Em 2005 editou o CD Taksi Trio uma vez mais com música original e ao lado dos músicos Jorge Moniz (bateria) e Zé Eduardo (contrabaixo), CD que contou com o Alto Patrocínio de Faro Capital Nacional da Cultura, e recentemente distinguido como “Um dos Melhores CD de Jazz Português de 2005” (Revista Jazz.pt, Blog Improvisos Ao Sul).

Já em 2006 Hugo contribuiu ainda com dois textos, um sobre Louis Armstrong, outro sobre Dizzy Gillespie, para uma das mais importantes coleções de Jazz editadas até hoje em Portugal, colecção “Let’s Jazz” pelo Jornal Público, orientada por José Duarte.

Hugo Alves tem participado em inúmeros festivais e eventos em países como sejam Portugal, Espanha, França, África do Sul e Itália.

Biografia completa:

Discografia

Álbuns

Estranha Natureza ‎(CD) Actus 2003 HA CD 2003
Taksi Trio ‎(CD, Álbum) (Hugo Alves Self-released) 2005HACD 2005

Hugo Alves, João Frade, Morphosis

Daniel Bernardes

Em 2015, foi galardoado com a Bolsa Jovens Criadores pelo seu projecto para a criação do seu Daniel Bernardes’ Crossfade Ensemble, um septeto de solistas das áreas do jazz e da Música Erudita para tocar as suas composições.

Em 2016, o projecto O Rondó da Carpideira lançou o seu disco de estreia numa dupla edição CD e DVD, com apresentações várias das quais se destaca a abertura conjunta de “Os Dias da Música” do CCB, e do Festival “Indie Lisboa”.

Leia AQUI a biografia completa.

Discografia

Álbuns

Nascem da terra ‎(CD, Álbum) Tone Of A Pitch TOAP/OJM056 2013
O Rondó da Carpideira ‎(CD, Álbum + DVD, Álbum) 2016
Daniel Bernardes Et Drumming GP – Liturgy Of The Birds – In Memoriam Olivier Messiaen ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF543CD 2019
Crossfade Ensemble ‎(LP) MPMP MPMPLP1 2020
Desidério Lázaro, Daniel Bernardes – Stillness In Time ‎(CD, Álbum) (Desidério Lázaro Self-released) 2021
Daniel Bernardes, Filipe Quaresma, João Barradas – Vignettte ‎(CD, Álbum) Artway 2022

Daniel Bernardes, Crossfade Ensemble

Da Chick

Discografia

Da Chick, Good Company

Depois da estreia em 2012 com o EP “Curly Mess” – lançado pela Discotexas – chegaram os palcos em atuações que apostaram num funk urgente e real.

O álbum de estreia “Chick to Chick” foi lançado em 2015 e nele surgiram temas produzidos por Xinobi, Moullinex, Cut Slack e Isac Ace.

Seguiram-se colaborações com vários outros artistas, e mais lançamentos, entre os quais o de “Call Me Foxy” (2017).

Em 2020 chegou o álbum “Conversations with the Beat”, um disco inteiramente escrito e produzido por Da Chick.

Para além de cantora, compositora e produtora, Da Chick carrega o seu nome e imagem: vídeos, styling, design de palco, merchandising.

E no palco, quer esteja acompanhada por um DJ ou por uma banda completa, Da Chick faz questão de sublinhar a força de uma “funk machine”. E foi isso o que a levou a conquistar o prémio de Best Live Performance nos Portuguese Festival Awards de 2015, que levou Peaches a chamá-la para o seu concerto no Vodafone Mexefest.

Esste mesmo reconhecimento justificou a sua presença na abertura de concertos dos Earth Wind & Fire e Maceo Parker no EDP Cool Jazz.

Carlos Peninha

Carlos Peninha é o nome artístico de Carlos Alberto Carvalho Marques, nascido em 14 de maio de 1962 em Viseu, guitarrista e multi-instrumentista.

É responsável pela direção musical dos espetáculos e CDs do Trigo Limpo Teatro ACERT Soltar a LínguaCantos da Língua e do A Cor da Língua, projetos que têm como protagonista a Língua Portuguesa, com todas as riquezas da Diáspora, onde assume igual importância a palavra dita e a palavra cantada, tendo também composto a maioria da musica original destes projetos.

Atualmente participa e dirige o projeto “Carlos Peninha – Ponto de vista”, projeto de música improvisada que interpreta temas da sua autoria, baseado no Carlos Peninha quarteto, projeto que mantém há cerca de vinte e cinco anos, agora com a edição do CD homónimo em Dezembro de 2019, resultado de candidatura a apoio financeiro do Viseu Cultura. Lidera o projeto “Tocar o Chão” com música da sua autoria sobre poesia de língua portuguesa da diáspora.

Carlos Peninha editou em nome próprio:

  • no final de 2017, o CD Tocar o Chão, que conta com a participação de músicos de Portugal, Moçambique e de Espanha.
  • no final de 2019, o CD Ponto de Vista, que conta com a participação de músicos de primeira linha do Jazz Português.
  • em 2021, o CD Dispersos, em formato digital, que é resultado de uma seleção de gravações feitas ao longo dos últimos 30 anos, que conta com a participação de músicos com quem trabalhou durante o período de tempo referido.

Começou em 2020 o projeto Sessões (In)discretas, que consiste na publicação de vídeos com música sua, inédita, no seu canal de Youtube e divulgação nas redes sociais, tocada e filmada com a com a colaboração de músicos a partir da casa/estúdio de cada um.

É desde 2020 o presidente do Júri do Garband Music Fest, festival de bandas e projetos musicais de Vila Nova de Gaia.

Recebeu o prémio Mérito Artístico dos Prémios Animarte 2012 do Gicav, Viseu, e o prémio Mérito Artístico dos Prémios Animarte 2019 do Gicav, Viseu.

Discografia

Participações a solo e como parte de equipas (CD)

• Carlos Peninha – Dispersos – CP 2021
• A Dúvida Soberana CD/DVD – Zeca Medeiros – Tradisom 2021
• Liberdade (single digital) – Márcia Tao (Brasil) 2021
• A Distant Shore (single digital) Cienta o Maquinista/Carlos Peninha – 2021
• Carlos Peninha – Ponto de Vista – CP 2019
• Carlos Peninha – Tocar o Chão – CP 2017
• A Viagem do Elefante, Luis Pastor e A Cor da Língua ACERT-2014
• “Especial Interfolk”, Toques do Caramulo-2012
• “Retoques” Toques do Caramulo-2011
• “Músicas de Sempre” Paulo Lima 2010
• “Musica Portuguesa” Edisco 2010
• “Totem” de NARF, Fran Perez 2007
• “Cantos da Língua” Acert- 2006
• “Pauta Inacabada”, homenagem a Sérgio Mestre 2005
• “Torna Viagem” (José Medeiros) Disco Prémio José Afonso 2005
• “Amusia” Wipeout 2005
• “Gente feliz com lágrimas” CD e Banda Sonora da série televisiva da RTP Açores de José Medeiros 2005
• “Musica deste tempo” (de Paulo Lima) 2004
• “Soltar a Língua” Acert– 2001
• “Luna del Plata” de Andrés Stagnaro (Uruguai) 2000
• “Cinefilias e outras incertezas” de José Medeiros 1999
• “ManifestaSons” – 1996
• “Ópera do Bandoleiro” (de Carlos Clara Gomes) 1994

Participações como Autor/Produtor/Arranjador

  • Produção e arranjo do single “Liberdade” de Márcia Tao (Brasil) 2021
    Autorias (Músicas e Letras)
    CD “Mariana” de Mariana Abrunheiro- Musica –Anunciação,2013.
    CD “Caminho” de Silvia Mitev – Musica e Letra de “Ao cimo da rua” e: Música em “Apenas a saudade”, 2014.

Carlos Peninha, Ponto de vista

Carlos Martins

Saxofonista (tenor, soprano) e compositor, Carlos Martins nasceu no Alentejo (Portugal), a 23 de dezembro de 1961. Estudou música e clarinete na Banda Filarmónica de Grândola com o maestro Jorge Picoito, a partir dos 14 anos. Mais tarde ingressou nos cursos de saxofone e composição do Conservatório Nacional. Foi aluno e professor da Escola de Jazz do HCP.

Frequentou os cursos de música contemporânea e improvisada da FCG e do Seminário Internacional de Música de Barcelona. Fazendo do jazz a sua actividade principal, manteve uma forte ligação à Música Erudita e desenvolveu uma carreira em vários domínios musicais, tendo trabalhado com Constança Capdeville (Grupo Colectviva), Álvaro Salazar (Oficina Musical), João Paulo Santos (Solistas da Orquestra TNSC) e colaborado com o escultor António Quina e os coreógrafos Rui Horta e Vera Mantero.

Compôs para cinema, teatro e dança. Como músico de jazz fundou o Quinteto de Maria João (1983-1985), foi membro fundador do Sexteto de Jazz de Lisboa (1984) e os seus grupos integraram e/ou integram músicos como Carlos Barretto, Bernardo Sassetti, Mário Delgado, Alexandre Frazão.

Entre os músicos estrangeiros, tocou, entre outros, com Ralph Peterson (1990), Don Pullen (1990), Cindy Blackman (1995), Bill Goodwin.

Participou na maioria dos festivais nacionais e alguns festivais internacionais. Dirige os seus próprios quarteto e quinteto.

Como líder gravou o primeiro disco em 1995, Passagem.

Fundou e é presidente e director artístico da Associação Sons da Lusofonia (1996), um projecto em que colaboram artistas de várias culturas para uma melhor cidadania.

Como arranjador tem ensaiado o cruzamento do jazz com a Música Popular, trabalho de que o disco Sempre constitui um testemunho prioritário. Mais recentemente, tem explorado aquilo a que chama “as semelhanças harmónicas e melódicas entre o Fado a morna e a modinha sob a influência do jazz e da música clássica”.

Influenciado inicialmente por John Coltrane, Jan Garbarek ou Elis Regina, o seu profundo interesse pela música de Duke Ellington aproximou-o também de saxofonistas tenores mais clássicos motivando-o a trabalhar a sonoridade do instrumento. A sua abertura conceptual e musical nunca o afastaram de modo decisivo da matriz modal conservando uma notória curiosidade por músicas fora da esfera do Jazz.

O conhecimento de outras músicas levou-o ainda a leccionar no New Jersey Performing Arts Center em 2002, altura em que estudou com o professor George Garzone em Nova Iorque. Foi consultor cultural do ISCTE/ Dinâmia para a elaboração da Carta Estratégica para a Cultura de Lisboa em 2008.

É desde 2002 o director artístico da Festa do Jazz do São Luiz. É director do Lisboa Mistura, um projecto artístico multi-disciplinar de intervenção intercultural que se iniciou em 2006. Estreou-se em 2007 como autor do Lisboa Mistura TV um projecto de televisão para a SIC-Noticias sobre a cidade de Lisboa.

OBRA MUSICAL

Música para cinema

Filha da mãe (1991) (João Canijo)
PAX (1994) (Eduardo Guedes) [para “Lisboa 94”]
Vídeo: Sétima Colina (1994)
Deixa-me uma Luz (2007) (Tiago Rodrigues)

Música para dança

As árvores movem-se (Rui Horta) (1987)
Em corpo com som (Vera Mantero) (1990)
Dançar José Afonso (1994); Companhia Contemporânea de Setúbal, apresentado em “Lisboa 94”
Cantoluso (1999); Companhia Nacional de Bailado

OBRA LITERÁRIA

(1998) “Fado e Jazz: ‘Alone Together’”, O Papel do Jazz; 3. Lisboa: Edições Cotovia; “O Saxofone como Metáfora“ Jornal Público 2005.

DISCOGRAFIA

Jazz como líder ou co-líder

Martins, Carlos (1991) Lisboa em Jazz 90, Carlos Martins Quarteto. CML/Pelouro Cultura. [Grav. 1990]
Martins, Carlos (1996) Passagem, Carlos Martins Quarteto. Enja. [Grav. 1995]
Martins, Carlos; Martins, Vasco (1997) Outras Índias. EMI-VC.
Martins, Carlos (1999) Sempre. VC.
Orquestra Sons da Lusofonia (1998) Caminho Longe. EMI-VC
Martins, Carlos (2006) Do Outro Lado. Som Livre
Martins, Carlos (2008) ÁGUA. IPlay

Jazz como sideman

Maria João (1991/1985) Cem Caminhos, Quinteto de Maria João. MOV / ORF-RT [CD/LP]
Maria João (1983) Quinteto Maria João. ORF/RT [LP]

Carlos Martins

Carlos Bica

Carlos Bica é um dos mais renomados contrabaixistas e músicos de jazz portugueses.

Em finais de 1995, gravou o seu primeiro álbum “Azul” (Polygram), juntamente com o guitarrista Frank Möbus e o baterista Jim Black, CD este que também conta com a participação do trombonista Ray Anderson e da cantora Maria João. Onde Carlos Bica se afirma não só como músico inovador no seu instrumento, mas também revela as suas qualidades como compositor.

A necessidade de projector namúsica as vivências do seupercurso musical e o enorme fascínio pelo som da voz e dos instrumentos de arco, levou Carlos Bica até ao projecto “DIZ”, queteve a suaestreia no Festival dos CemDias/Expo’98, e a edição em disco em Abril de 2001 pela Enja Records(Prémio de “Melhor disco do ano” da Antena 1/ Cinco minutos de Jazz).

Em Outubro de 2005 Carlos Bica edita”Single”(BorLand), o seu primeiro álbum de contrabaixo solo, onde músico e instrumento se encontram a sós e onde Bica revela o seu lado musical mais íntimo. Na digressão que fez em Portugal de promoção desse disco, teve como convidados alguns dos seus amigos e músicos favoritos, como: João Paulo Esteves da Silva, Jesse Chandler, Sam the Kid, Kalaf, Alexandre Soares, Jorge Coelho, DJ IlVibe, Matthias Schubert,KalleKalima e Ana Brandão.

A colaboração com DJ IllVibe prolongou-se para o álbum “Believer” (2006) – após “Azul” (1996), “Twist”1999) e “LookWhatThey’veDone to MySong” (2003) – do projecto Azul, onde o DJ Illvibe é convidado especial.

Em 2009 o pianista João Paulo grava o álbum “WhiteWorks” (Universal), um álbum onde o músico toca em piano solo as composições de Bica. “WhiteWorks” foi votado pela crítica nacional “Disco do Ano”.

Depois da sua participação em inúmeros projectos nacionais e internacionais em diferentes áreas artísticas,nasce em 2008 o projecto “Matéria-Prima”, onde participam o pianista João Paulo e o guitarrista Mário Delgado, companheiros de longas aventuras musicais, e os jovens e talentosos Matthias Schriefl no trompete e João Lobo na bateria. Carlos Bica foi distinguido com o Prémio Carlos Paredes 2011, pelo álbum “Matéria-Prima” editadopelaeditora Clean Feed.

Em2011 passados 15 anos desde a edição do seu primeiro álbum, Bica volta a reunir em estúdio os seus companheiros de longa data para gravar “Things About”, o quinto álbum do Trio AZUL, que mantém intacta a formação original, numa empatia rara que tem contribuído para o reconhecimento internacional de Carlos Bica.

Leia AQUI a bio completa.

Carlos Bica, Matéria prima

  • I am the escaped one, 2019.
Carlos Barreto

Discografia

Carlos Barreto, Impressões

Bernardo Sassetti

Bernardo Sassetti (1970-2012) foi um pianista e compositor português.

Em 1994, integrou a United Nations Orchestra, fundada por Dizzy Gillespie, tocando ao lado de vários músicos latinos, influenciando de forma evidente o seu primeiro álbum Salsetti.

No mesmo ano, gravou com o quinteto de Guy Barker o CD Into The Blue (Verve), nomeado para os Mercury Music Prize 95 – Ten albums of the year. Em 1997, também com Guy Barker, gravou What Love is, acompanhado pela London Philharmonic Orchestra e com a participação especial do cantor Sting.

Como compositor destacam-se as composições Ecos de África (1994), Sons do Brasil (1994), Mundos (1995), Entropé (para piano e orquestra) (2001), 4 Movimentos Soltos (para piano, vibrafone, marimba e orquestra) (2003),Fragments (of Cinematic Illusion) (2004/2005), Concerto Dinâmico (2005), Suite para Dom Roberto (2007), e entre muitas outras peças para pequenas formações.

O seu primeiro trabalho discográfico como líder, Salsetti (Groove/Movieplay), foi gravado em Abril de 1994, com a participação de Paquito D’Rivera, seguido de Mundos (Emarcy/Polygram), em Janeiro de 1996. Em 2002, gravou Nocturno (Clean Feed), o primeiro disco do Bernardo Sassetti Trio, com Carlos Barretto e Alexandre Frazão, distinguido com o Prémio Carlos Paredes; e no mesmo ano iniciou a colaboração com Olga Neves Carneiro que o representou ao longo da década seguinte.

Em 2004, gravou dois discos para piano solo Indigo e Livre (Clean Feed). No ano seguinte, lançou o segundo disco do Bernardo Sassetti Trio, Ascent (Clean Feed), com a participação de Ajda Zupancic e François Lezé, um fruto da comunhão entre a música e as artes visuais derivadas da sua dedicação ao cinema e à fotografia.

Em Dezembro de 2006, também dentro do contexto audiovisual, Bernardo Sassetti editou Unreal: Sidewalk Cartoon (Clean Feed), materializado em espectáculo e contando com a participação de vinte e oito músicos e uma actriz, um disco que recebeu o melhor acolhimento da crítica nacional e internacional. Em 2007, foi editada a banda sonora da peça de teatro Dúvida (Clean Feed), com encenação de Ana Luísa Guimarães.

Em Outubro de 2006, apresentou-se no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém com Mário Laginha e Pedro Burmester no concerto 3 Pianos, editado em CD e DVD no ano seguinte. Em 2010, gravou o terceiro e último disco do Trio de Bernardo Sassetti com o título Motion (Clean Feed), e também em parceria com Carlos do Carmo Bernardo Sassetti & Carlos do Carmo (Universal).

De entre muitos discos gravados (como acompanhador e compositor) podem destacar-se os seguintes: Conrad Herwing e Trio de Bernardo Sassetti – Ao vivo no Guimarães Jazz; Orquestra Cubana Sierra Maestra – Dundumbanza e Tibiri tabara; Carlos Barretto – Impressões e Olhar; Carlos Martins com Cindy Blackman – Passagem; Luís Represas – Cumplicidades; Carlos do Carmo Ao vivo no Coliseu; Guy Barker – Into the blue, Timeswing e What love is; Perico Sambeat – Perico; Guillermo McGill – Cielo e Oración; Tetvocal – Desafinados; Djurumani – Reencontro e Andy Hamilton – Jamaica by night, Da Weasel – Amor, Escárnio e Maldizer, Rui Veloso – Rui Veloso e Amigos, Sérgio Godinho – Dias Consecutivos, entre outros.

Bernardo Sassetti dedicou 18 anos da sua vida à composição de música para cinema, uma paixão que o acompanhou desde os seus 12 anos de idade. Destaca-se a participação no filme The Talented Mr. Ripley (Paramount/Miramax) do realizador Anthony Minguella, em 1999. Para este projecto, gravou My Funny Valentine com o actor Matt Damon, entre outros temas.

Compôs igualmente, em parceria com o trompetista Guy Barker, uma série de temas para serem apresentados na Premiére deste filme realizada em Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Berlim, Paris, Londres e Roma. Dos seus trabalhos de composição para cinema destacam-se Maria do Mar de Leitão Barros, Facas e Anjos de Eduardo Guedes, Quaresma de José Álvaro Morais, O Milagre Segundo Salomé eUm Amor de Perdição de Mário Barroso, A Costa dos Murmúrios de Margarida Cardoso, Alice e Como desenhar um círculo perfeito de Marco Martins, Second Life de Miguel Gaudêncio e Alexandre Valente, 98 Octanas de Fernando Lopes, o documentário Noite em Branco de Olivier Blanc e a curta-metragem As Terças da Bailarina Gorda de Jeanne Waltz.

Saiba mais AQUI.

Discografia

Bernardo da Costa Sassetti Pais, pianista e compositor português nascido em Lisboa (n. 24 de junho de 1970 – m. 10 de maio de 2012).

Albuns

Mundos ‎(CD, Álbum) Universal Music Portugal 532 988-2 1996
Carlos Barretto, Bernardo Sassetti, Mário Barreiros, Perico Sambeat – Olhar ‎(CD, Álbum) Up Beat Records UB 10005 1999
Salsetti 2 versões West Wind Latina 2000
Guy Barker, Bernardo Sassetti – Specifics 45 – Cuba Cuba ‎(2xCD, Álbum) Music House MHS 45 2000
Nocturno ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF008CD 2002
Mário Laginha, Bernardo Sassetti – Mário Laginha Bernardo Sassetti ‎(CD, Álbum) ONC Produções Culturais ONC1 2003
Indigo 2 versões Clean Feed 2004
Vários / Bernardo Sassetti & Mário Laginha / Luis Filipe Costa – Grandôlas ‎(4xCD, Álbum) Companhia Nacional de Música GM002/4 2004
Alice ‎(CD, Álbum) Trem Azul TA001CD 2005
Unreal: Sidewalk Cartoon ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF070CD 2006
Bernardo Sassetti, Mário Laginha, Pedro Burmester – 3 Pianos ‎(CD, Álbum) incubadora d’artes INC002CD 2007
Dúvida (1964) ‎(CD, Álbum) Trem Azul TA002CD 2007
Second Life – Original Soundtrack ‎(CD, Álbum, Enh) Utopia Música MFCR29006 2009
Mário Laginha, Bernardo Sassetti – Casa Da Música Ao Vivo 2009 ‎(CD, Álbum) Casa da Música CDM009 2009
Will Holshouser Trio + Bernardo Sassetti – Palace Ghosts And Drunken Hymns ‎(CD, Álbum) Clean Feed CF160CD 2009
Um Amor De Perdição ‎(CD, Álbum, Dig) Trem Azul TA004CD 2009
Carlos Do Carmo / Bernardo Sassetti – Carlos Do Carmo Bernardo Sassetti 7 versões Mercury, Universal Music Portugal 2010
Bernardo Sassetti, Dan Weiss, Demian Cabaud, Ohad Talmor – Guimarães Jazz / TOAP Colectivo Vol. IV ‎(CD, Álbum) Tone Of A Pitch TOAP/OJM039 2010
Bernardo Sassetti & Mário Laginha – Abril A Quatro Mãos – Grândolas 2 versões Companhia Nacional de Música 2014
Sophia De Mello Breyner Andresen, Fernando Lopes-Graça, Bernardo Sassetti – A Menina Do Mar ‎(CD, Aud + DVD-V) Edições Valentim de Carvalho 0776-3 2019
Solo ‎(CD, Álbum) Casa Bernardo Sassetti 57202109 2019

Fonte: Discogs

Bernardo Sassetti, Indigo